Comunicação Empresarial: Relações públicas para bilionários
Comunicação Empresarial: Relações públicas para bilionários
Os bilionários brasileiros põem em xeque o discurso descentralizador de riqueza, baseado na Responsabilidade Social
Uma das primeiras e principais alavancas no trabalho de limpeza de imagem, com o uso de conceitos modernos de Relações Públicas, feito por jornalistas, foi para os chamados "barões ladrões" norte-americanos. Os robbers barons , apelido dado pela imprensa no final do século XIX a um grupo de industriais abonados, que se esmeravam em construir, com a ajuda de políticos corruptos, monopólios nas áreas das finanças, do petróleo, transporte ferroviário, mineração, entre outros negócios dourados.
Mark Twain, em seu livro The Gilded Age , senta a pena e a pua em um país que se distanciou das idéias de seus fundadores e de gente como Tocqueville e chegou, aos anos 1990, marcado por forte concentração de riquezas. Os comunicadores empresariais da época, entre eles o jornalista Ivy Lee, considerado o pai das Relações Públicas, receitaram primeiramente uma mudança radical no comportamento dos empresários, fustigados pela irada opinião pública dos EUA. Germinaram, daí, as sementes da Responsabilidade Social Corporativa, com o objetivo de conquistar a simpatia da sociedade. Por influência direta de Lee, foram criadas as instituições filantrópicas dos Guggenheim e dos Rockefeller. O melhor exemplo da eficácia dessa engenharia de imagem foi a transformação do "ganancioso" John D. Rockefeller em um amável ancião, patrono de inúmeros programas sociais. A versão moderna de empresário benemérito é do conhecido Bill Gates, dono de uma fortuna estimada em 50 bilhões de dólares, segundo o ranking 2005 da revista Forbes (divulgado em março de 2006). Gates colocou nos últimos anos cerca de 29 bilhões de dólares na Fundação Bill & Melinda Gates, cujo foco são programas de combate a doenças infecciosas como malária, hepatite B e Aids, em continentes como a África. Como resultado de construção de imagem, em 2005, Bill e Melinda Gates, juntamente com o roqueiro Bono, foram escolhidos e estamparam a capa da tradicional revista Times , na edição que consagrou as Personalidades do Ano.
A revista americana Forbes , no seu tradicional e anual ranking de fortunas, trouxe, em 2006, entre os cinco homens mais ricos do mundo, o mexicano Carlos Slim Helú, detentor de estimados 30 bilhões de dólares e que se destaca por ser colecionador de arte, com esculturas de Rodin no Museu Soumaya, nome de sua esposa. O Brasil não fez feio nesta edição da lista da Forbes , ao dobrar o número de participantes nativos. Assim, entre os atuais 793 bilionários no planeta, marcam presença 16 nomes brasileiros: os principais acionistas de empresas como Banco Safra, CSN, Gol, InBev, Natura, Pão de Açúcar e Votorantim. Os brasileiros nesse ranking da concentração de riqueza põem em xeque o discurso descentralizador de riqueza, baseado em ações de Responsabilidade Social. Muitos formadores de opinião, que ainda têm o hábito matutino de ler os jornais e comparar notícias, por certo, gostarão de ter em mãos os números e resultados, com muita transparência, dos programas dessas empresas em suas comunidades e no país que tem a maior concentração mundial de helicópteros e de Ferraris.
Esse parece ser um bom problema de Comunicação Empresarial e Relações Públicas para os Ivys Lee tropicais mostrarem a sua competência.
Coluna publicada na edição 211 (Abril) da revista IMPRENSA






