Comissão de Ética quer ouvir a Secom sobre documento que aponta "comunicação errática"

O caso levou o jornalista Thomas Traumann, alvo de um processo da Comissão, a deixar o cargo

Atualizado em 29/04/2015 às 09:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última terça-feira (28/4), a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu pedir explicações à Secretaria de Comunicação Social ( ) sobre o documento interno, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, que apontava uma "comunicação errática" e situação de "caos político". .
Crédito:Agência Brasil Comissão de Ética quer explicações da Secom e do ex-ministro (foto) sobre documento vazado à imprensa
A Comissão de Ética abriu processo contra o jornalista no dia 24 de março, cinco dias após a reunião que havia sido realizada com todos os conselheiros. No dia seguinte à abertura do processo, Traumann pediu demissão à presidente Dilma Rousseff (PT).
"Foram pedidos mais esclarecimentos sobre o costume da secretaria, quais são as normas que regulamentam o comportamento da secretaria", disse Américo Lacombe, presidente da comissão, ao Estadão . "Ele [Traumann] encaminhou uma parte [das explicações], mas pedimos mais, porque achamos que era insuficiente, mas nós temos de respeitar o princípio da ampla defesa", acrescentou.
Lacombe informou que o jornalista fez "algumas afirmações" em sua resposta à comissão que necessitariam da "confirmação da Secom". A Comissão de Ética foi provocada pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que já aprovou na Comissão de Comunicação do Senado a solicitação para que Traumann seja convidado a esclarecer o conteúdo do documento.
O documento indica ainda que os apoiadores da presidente estão levando uma "goleada" da oposição nas redes sociais e vê como saída o investimento maciço em publicidade oficial em São Paulo, cidade gerenciada pelo petista Fernando Haddad e que virou o epicentro dos protestos anti-Dilma no dia 15 de março.
"A guerrilha política precisa ter munição de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele", diz um trecho do documento. Quanto ao procedimento incomum adotado no caso de Traumann, Lacombe negou interferência do Planalto no processo. "Não tem nada diferenciado", completou.