Comissão da Verdade pode anexar edição censurada do “Jornal da Bahia” em relatório
Edição censurada do jornal no 1º de abril de 1964 circulou sem manchete por imposição do regime. Ele será anexado ao relatório da comissão.
Atualizado em 15/08/2014 às 16:08, por
Redação Portal IMPRENSA.
A reprodução da primeira página do Jornal da Bahia que circulou no dia 1º de abril de 1964 sem manchete — censurada pelo regime militar — será anexada ao relatório final que a Comissão Estadual da Verdade da Bahia (CEV-BA) enviará em dezembro deste ano à nacional.
Crédito:Reprodução Jornal com manchete censurada fará parte de relatório da Comissão da Verdade
Segundo o Brasil 247, a manchete – “'Rebelião contra o governo” – foi censurada na madrugada do golpe militar. No texto principal da matéria, o jornal dizia que “a crise iniciada com o levante de fuzileiros navais e marinheiros na Guanabara, na semana passada, agravou-se extremamente no decorrer da noite de ontem, estendendo-se a vários pontos do território nacional, sob a forma de insurreição política no Estado de Minas Gerais e de movimentação de tropas dentro daquela unidade da Federação e em outras regiões". Outros trechos também foram reprovados pelo Exército.
Em destaque, o jornal apenas trazia o título “Jair Dantas Ribeiro assumiu o Comando das Forças Legalistas”. Ele foi ministro da Guerra no regime. Mais abaixo, um artigo curto dizia: “Jango: Forças Armadas estão coesas”.
Na época, o escritor e jornalista Nelson Cerqueira era o plantonista no Jornal da Bahia e foi surpreendido pela invasão do Exército na redação e oficinas do matutino. "Essa manchete não existe", afirmou um oficial ao ver a prova da primeira página, já montada.
O militar ditou a manchete que deveria ser publicada: “A Nação que se salvou a si mesma do jugo comunista”. Cerqueira respondeu que não dava para mudar, uma vez que o título proposto era muito longo e ultrapassava o espaço do anterior, que só tinha três palavras. "Então tira isso daí", retrucou o oficial. Por consequência, o diário chegou às bancas com espaços em branco na capa.
Crédito:Reprodução Jornal com manchete censurada fará parte de relatório da Comissão da Verdade
Segundo o Brasil 247, a manchete – “'Rebelião contra o governo” – foi censurada na madrugada do golpe militar. No texto principal da matéria, o jornal dizia que “a crise iniciada com o levante de fuzileiros navais e marinheiros na Guanabara, na semana passada, agravou-se extremamente no decorrer da noite de ontem, estendendo-se a vários pontos do território nacional, sob a forma de insurreição política no Estado de Minas Gerais e de movimentação de tropas dentro daquela unidade da Federação e em outras regiões". Outros trechos também foram reprovados pelo Exército.
Em destaque, o jornal apenas trazia o título “Jair Dantas Ribeiro assumiu o Comando das Forças Legalistas”. Ele foi ministro da Guerra no regime. Mais abaixo, um artigo curto dizia: “Jango: Forças Armadas estão coesas”.
Na época, o escritor e jornalista Nelson Cerqueira era o plantonista no Jornal da Bahia e foi surpreendido pela invasão do Exército na redação e oficinas do matutino. "Essa manchete não existe", afirmou um oficial ao ver a prova da primeira página, já montada.
O militar ditou a manchete que deveria ser publicada: “A Nação que se salvou a si mesma do jugo comunista”. Cerqueira respondeu que não dava para mudar, uma vez que o título proposto era muito longo e ultrapassava o espaço do anterior, que só tinha três palavras. "Então tira isso daí", retrucou o oficial. Por consequência, o diário chegou às bancas com espaços em branco na capa.





