Comissão da Verdade de SP vai convocar jornalista para esclarecer morte de JK

Na última terça-feira (1/10), o vereador e presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, Gilberto Natalini (PV-SP), anunciou quevai convocar o jornalista Raul Bastos para prestar esclarecimentos sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Atualizado em 02/10/2013 às 11:10, por Redação Portal IMPRENSA.



Crédito:Divulgação Ex-presidente pode ter sido assassinado, revelou reportagem


De acordo O Estado de S.Paulo , reportagem divulgada em 1996 na revista Interview mostra que Bastos, chefe de produção do Estado à época, teria informações de que JK fora vítima de um complô. O autor da reportagem, Valério Meinel, foi morto no mesmo ano. Ele havia trabalhado com Bastos na sucursal do jornal no Rio.


Kubitschek morreu em agosto 1976 depois de um acidente de carro. O ex-presidente viajava de São Paulo para o Rio em um Opala dirigido pelo seu motorista, Geraldo Ribeiro, que também morreu, após perder o controle e bater em uma carreta.


No texto publicado em 1996, Meinel diz que, no dia da morte de JK, recebeu ordens do então chefe de produção do jornal para que aguardasse a chegada de Wanderley Midei, subchefe de produção, que viria de São Paulo. Segundo a reportagem, Midei revelou que “na cobertura do acidente, repórteres do jornal, mandados de São Paulo, obtiveram de guardas da Polícia Rodoviária a informação de que o Opala de Juscelino se desgovernara porque o motorista Geraldo levara um tiro na cabeça".


De acordo com a versão, o tiro teria vindo de uma Caravan que também trafegava pela Dutra, na altura de Resende, no Rio, segundo depoimentos colhidos de passageiros de um ônibus que estava atrás do Opala onde viajava o ex-presidente. O ônibus 1.348 da Viação Cometa era dirigido por Josias Nunes de Oliveira, de 69 anos. Oliveira foi ouvido ontem pela comissão na Câmara Municipal paulistana. Durante o regime militar, o motorista do ônibus foi acusado de ter sido o responsável pelo acidente de JK. Ele nega ter visto a Caravan.


Oliveira alega que não é responsável pela morte do ex-presidente e, segundo antecipou o Estadão , disse que dois homens lhe ofereceram dinheiro para confessar que tinha culpa no acidente. "Cinco ou seis dias depois apareceram em casa dois homens cabeludos. Eles me ofereceram uma mala cheia de dinheiro para eu dizer que tinha matado o presidente", revelou Oliveira. Ele comunicou que vai pedir indenização por ter sido considerado por tanto tempo responsável pelo acidente.


Natalini disse que vai pedir nova perícia do corpo de Gilberto, o motorista de JK. Em 1996 foi feita exumação do corpo e encontrado um fragmento de metal identificado como prego do caixão. Membros da Comissão da Verdade dizem que há suspeita de que seja uma bala. Confirmou-se ainda buraco no crânio de Gilberto, provocado por "esfarelamento ósseo".


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