Começou a olimpíada do conhecimento!
Começou a olimpíada do conhecimento!
O semestre está só começando e nem sempre é fácil retomar o ritmo dos estudos. Muitas caras amassadas, o burburinho das novidades não compartilhadas durante as férias e as dificuldades comuns ao início das disciplinas, cercada de uma série de procedimentos burocráticos que não são fáceis nem para o professor e muito menos para os alunos. Passado o baque inicial, feitas as apresentações necessárias, o caminho a seguir é entrar de vez nos conteúdos, certo?
Pode ser, mas com o clima festivo das olimpíadas que começam junto com o semestre talvez esta seja uma ótima oportunidade para pegar um fôlego extra e criar uma motivação a mais nos alunos. Quem dá aula sabe: pelo menos um aluno na turma, e geralmente é bem mais, sonha em seguir carreira no jornalismo esportivo. Mas mesmo àqueles que possuem outros interesses não conseguem ficar indiferente ao imenso bombardeio de informações que surgem durante os jogos olímpicos. Nada mais adequado, então, que iniciar a conversa do semestre tendo como tema a cobertura do maior evento esportivo do mundo.
A idéia não é parar tudo para discutir o aparato de comunicação que é mobilizado para fazer dos jogos um verdadeiro espetáculo midiático. Poderíamos usar infinitas aulas para avaliar o tamanho da cobertura, número de veículos envolvidos, número de repórteres, estrutura de transmissão das informações, ou então o seu conteúdo, a ênfase dada àquele ou esta modalidade esportiva, as diferenças culturais e políticas apresentadas como curiosidades inusitadas, os sonhos individuais de conquistas que viram sonhos coletivos, enfim, inúmeros acontecimentos jornalísticos. Tudo isso é muito relevante e se o tempo ajudar valerá uma boa discussão, mas acredito que podemos encontrar algo mais neste universo de imagens e fatos, um algo mais que pode desencadear uma dose extra de motivação: os exemplos de superação tão freqüente no mundo esportivo.
Olho para os atletas olímpicos com um misto de admiração e respeito. Chegar ali requer uma série de posturas muito difíceis que nem sempre são enfatizadas nas matérias jornalísticas, mas que podemos perceber nas entrelinhas. Dias de treinamento intenso, luta contra o cansaço e a dor, dificuldades dos mais diferentes tipos. Errar mil vezes para acertar uma única vez e mesmo assim, sem a certeza de alcançar o objetivo, esta é a rotina da maioria.
Histórias bonitas de serem contadas em matérias jornalísticas, mas que sabemos que no dia-a-dia não são tão fáceis de serem vividas. Afinal, quem não se comove com as lágrimas das atletas cortadas por lesão antes mesmo no início dos jogos? Ou com o rosto sempre apreensivo da ginasta Jade Barbosa? E os calos nos pés dos corredores? Tudo detalhes, nas falas dos protagonistas dessas histórias, o que conta são os minutos de competição e, pelo que parece independente dos resultados, o importante é estar lá e tentar, fazendo sempre o melhor possível.
A idéia de pelo menos tentar está muito associado ao espírito esportivo e vale muito como exemplo para nossos jovens estudantes. O paralelo é possível porque, como no esporte, o esforço e a determinação são essenciais no processo de aprendizado. Muitas e muitas vezes um texto parecerá intransponível, como um recorde a ser batido e uma aula extremamente fatigante, como um treino de dia inteiro. A rotina diária de estudo não é necessariamente prazerosa, apesar de muitas vezes o ser, e seus avanços geralmente são muito lentos.
Como no esporte não há atleta sem treino, no conhecimento não há gênio sem estudo. A imagem do aluno inteligente por natureza pode ser engraçada, com seus óculos de fundo de garrafa, mas é só uma caricatura e só é verdadeira quando os óculos são realmente usados em horas de concentração e estudo.
Propor aos alunos um banho de espírito olímpico no início do semestre, incentivando posturas de superação e determinação como a dos atletas, pode ser uma boa ajuda para que eles possam enfrentar as dificuldades que com certeza encontrarão durante os estudos. Como "técnicos" destes estudantes sabemos que unir compromisso e determinação é a fórmula mais certa para se destacar nos estudos e na carreira, mesmo que muitas vezes as quedas apareçam. Tropeços inevitáveis, mas que se enfrentados com a determinação de quem busca o ouro olímpico, nos levam para mais longe na olimpíada do conhecimento.






