Com um olhar atento sobre as cidades, Cristiano Mascaro revela belezas sutis
Com um olhar atento sobre as cidades, Cristiano Mascaro revela belezas sutis
"Eu sou um fotógrafo pedestre". Assim Cristiano Mascaro, que tem na cidade sua maior inspiração, define seu estilo. Atento à imprevisibilidade e ao acaso proporcionados pelo movimento nas ruas, e que podem passar despercebidos aos olhos não treinados, a vida na rua o atrai: "a cidade me atrai como fotógrafo; se eu ficar parado numa esquina, em pouco tempo encontro belas imagens".
Pode parecer inusitado, mas Mascaro tornou-se fotógrafo estudando arquitetura. Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU), começou a carreira no final da década de 1960, e início de 1970 passou a trabalhar como repórter fotográfico.
| Cristiano Mascaro |
"A biblioteca da FAU sempre foi muito boa. Um dia me caiu nas mãos um livro do fotógrafo francês Cartier-Bresson, e foi amor à primeira vista. Eu me encantei e achei que talvez pudesse ser melhor fotógrafo que arquiteto", conta o fotógrafo.
Ele foi contratado pela revista Veja , fato que acabou guiando sua carreira e lhe trouxe experiência e perspicácia. "No fotojornalismo não se pode esperar melhor luz, não há condições de esperar inspiração, tem que fazer tudo na hora". Por isso, Mascaro considera que os "fragmentos da realidade" podem ser obtidos de duas formas: a partir de "momentos roubados" ou de "momentos construídos". Os primeiros referem-se às situações em que o fotógrafo é surpreendido por um acontecimento fortuito e o registra, caso clássico do fotojornalismo.
| Cristiano Mascaro |
Ao deixar a Veja , o fotógrafo voltou à FAU, desta vez para coordenar os setores de audiovisuais da universidade. Isso permitiu que ele fizesse um trabalho mais autoral, ou os "momentos construídos", quando as imagens precisam de planejamento, como as fotografias publicitárias, retratos e pesquisas. "Poder fazer um trabalho mais autoral foi muito bom, porque o fotógrafo de jornalismo sempre fica submetido aos acontecimentos", diz.
Como escola, Mascaro teve a cidade de São Paulo, mas também clicou outras capitais do Brasil e do exterior, como Paris, Berlim, Lisboa, Nova York e Havana. Em 1998, através do Programa Monumenta, projeto do Ministério da Cultura, Unesco e BID, retratou o centro histórico de 28 cidades brasileiras.
| Cristiano Mascaro |
Esse olhar atento sobre a cidade vem da sua infância: "Lembro das minhas primeiras sensações visuais, quando era garoto e andava à pé, de ônibus ou bonde. Eu ia admirando a paisagem, percebendo detalhes, e isso foi muito útil para mim, poder olhar a cidade. Hoje há um certo autismo urbano, com todas as pessoas dentro dos carros".
O fotógrafo considera a fotografia como "o terreno do que vai acontecer. Você está sempre um segundo a frente, imaginando toda uma combinação de primeiro plano e fundo, de forma e composição, e torce para que tudo vá na direção esperada", relata.
| Cristiano Mascaro |
Ele já publicou quatro livros. O mais recente, "Desfeito e refeito", novo volume da Coleção Educação do Olhar, da Editora BEI, aborda sua obra sob seu próprio olhar. O título, retirado de um ensaio do crítico literário Antônio Cândido, representa, para Mascaro, a essência da fotografia: "desfazer o confuso emaranhado da realidade e - ao conceder perenidade ao instante impreciso e fugidio - refazê-la melhor".






