Com mortes de Stuckert e Lage, jornalismo perde referências fotográfica e acadêmica

Dois jornalistas brasileiros que marcaram época morreram na última segunda-feira, 23 de agosto: o repórter fotográfico Roberto Stuckert, aos

Atualizado em 25/08/2021 às 19:08, por Redação Portal IMPRENSA.

78 anos, após parada cardíaca; e o professor de jornalismo Nilson Lage, aos 84, que estava tratando-se de câncer de pulmão.
Conhecido como Stukão, Stuckert trabalhou em mais de 30 veículos de comunicação, incluindo as revistas Cruzeiro e Manchete, os jornais Folha e O Globo, e a agência France-Presse. Cobriu três Copas do Mundo de futebol (1974, 1978 e 1994) e foi fotógrafo oficial de João Batista Figueiredo, o último presidente do período da ditadura militar. Crédito:Ricardo Stuckert Roberto Stuckert morreu aos 78 anos: fotógrafo oficial de Figueiredo e passagens por mais de 30 veículos de imprensa
Passou a paixão pelas lentes e imagens a seus filhos Roberto e Ricardo Stuckert, que também foram fotógrafos de ex-presidentes: Ricardo de Lula e Roberto de Dilma Rousseff.
“Um dos primeiros presentes que ganhei dele, ainda criança, foi uma máquina fotográfica. Ele me entregou e disse ‘Rico, aqui tem a minha vida e você vai aprender a olhar o mundo por este visor’. Depois, com a máquina na mão, ele falou que iria me levar ao laboratório de fotografia para aprender a revelar filmes. Quando entrei naquela sala toda escura e vi a imagem surgindo do filme, perguntei pra ele: ‘Pai, isso é mágica?’. Ele sorriu e disse: ‘Sim, é como se fosse’. Eu cresci acreditando nisso”, contou Ricardo à Folha de São Paulo.
Referência acadêmica

Doutor em Linguística e Filosofia, mestre em Comunicação e bacharel em Letras, o jornalista Nilson Lage foi um importante pesquisador do jornalismo brasileiro. Professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi um dos pioneiros do curso de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor-adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Lage escreveu livros que são referência no estudo do tema, incluindo “A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística”, “A linguagem jornalística”, “Teoria e técnica do texto jornalístico” e “A estrutura da notícia”.

Lage ajudou a formar diferentes gerações de jornalistas, deixando uma marca no pensamento acadêmico sobre imprensa, linguagem jornalística e técnicas de redação e de reportagem. Crédito:Reprodução UFRJ Nilson Lage ajudou a estruturar o ensino de jornalismo no Brasil, formando gerações de profissionais
Como jornalista, trabalhou no Jornal do Brasil, na Última Hora, na TV Educativa do Rio de Janeiro, entre outros veículos de comunicação, incluindo o blog Tijolaço.
"Uma figura fantástica, de uma erudição, uma sabedoria. Uma conversa com Nilson Lage, qualquer que fosse o assunto, era uma aula", disse Áureo Moraes, chefe do gabinete da UFSC e ex-colega de trabalho do professor.