Com mais duas condenações de jornalistas, Rússia mantém cobertura da guerra na Ucrânia sob censura

Mais dois casos de ataques judiciais a profissionais de imprensa russos por suas reportagens e comentários sobre a guerra na Ucrânia estão sendo noticiados pela imprensa internacional.

Atualizado em 08/02/2023 às 15:02, por Redação Portal IMPRENSA.


No dia 6 de fevereiro, as autoridades de Kazan, capital da República Russa do Tartaristão, condenaram à prisão o colunista Iskander Yasaveyev, da emissora RFE/RL. Já a jornalista Maria Ponomarenko recebeu recentemente uma pena de prisão de nove anos do governo russo.
Gulnoza Said, coordenadora do programa Europa e Ásia Central do Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York, afirmou que, com esses dois novos casos, o Kremlin "está mostrando sua firme determinação de punir qualquer reportagem independente sobre a guerra na Ucrânia”. Crédito: Reprodução CPJ/Sota Maria Ponomarenko foi presa por publicar no Telegram notícias sobre bombardeio em teatro ucraniano “As autoridades devem libertar imediatamente Ponomarenko e Yasaveyev, retirar todas as acusações contra eles e parar de punir os membros da imprensa que corajosamente permaneceram na Rússia, apesar da repressão do país à mídia”, completou Gulnoza.
Yasaveyev foi condenado por incitar o ódio contra políticos em um artigo crítico à guerra de junho de 2022. O texto teria sido publicado em um serviço da notícias da RFE/RL. Em agosto de 2022, a polícia revistou a casa de Yasaveyev e o levou para interrogatório.
Já Ponomarenko está preso desde abril de 2022 sob acusação de publicar informações falsas em um canal de notícias do Telegram sobre um ataque aéreo russo a um teatro em Mariupol, na Ucrânia. As autoridades russas negam ter feito o bombardeio.
Ponomarenko foi condenada em um tribunal distrital de Leninsky, na cidade siberiana de Barnaul. Além da detenção por nove anos, ela foi proibida de fazer qualquer tipo de gerenciamento ou postagem em mídias sociais por 5 anos.
Segundo o CPJ, pelo menos 19 jornalistas estavam presos na Rússia no começo de dezembro de 2022.