Com duas novas prisões, perseguição judicial a jornalistas se intensifica na Argélia

A Anistia Internacional denunciou nesta quarta (26) o que classificou como "crescente campanha de assédio" contra a imprensa na A

Atualizado em 27/08/2020 às 10:08, por Redação Portal IMPRENSA.

A Anistia Internacional denunciou nesta quarta (26) o que classificou como "crescente campanha de assédio" contra a imprensa na Argélia.

Segundo a entidade de defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão, a perseguição judicial resultou na recente condenação de dois jornalistas, "simplesmente por expressar suas visões" na cobertura dos protestos por mudanças políticas no país.
Denominados movimento Hirak, os protestos começaram em fevereiro de 2019. Desde então, ao menos oitos jornalistas foram presos, a maior parte por expressar opiniões e compartilhar material crítico ao governo nas redes sociais. Crédito:Reprodução Anistia Internacional Protesto contra recente prisão de dois jornalistas na Argélia: assédio judicial contra profissionais de imprensa avança no país
Entre as acusações formais aos profissionais de imprensa da Argélia constam “prejudicar a integridade territorial do país", “insultar o presidente da república" e "incitar aglomerações".
Um dos casos que geraram mais repúdio de entidades de imprensa ocorreu em 24 de agosto, quando uma decisão judicial de primeira instância sentenciou o jornalista argelino Abdelkrim Zeghileche, diretor da rádio independente Sarbacane, a dois anos de prisão por duas postagens no Facebook.
Outro caso de destaque ocorreu em 10 de agosto, quando o jornalista Khaled Drareni foi condenado a três anos de prisão por sua cobertura do movimento Hirak.
Drareni é fundador do site de notícias Casbah Tribune e correspondente da TV francesa TV5 Monde.
Já no dia 4 de agosto, o jornalista Mustapha Bendjama, editor-chefe do jornal local Le Provincial, foi interrogado por 90 minutos por um post criticando as prisões de colegas de imprensa.
"Todos esses jornalistas estão sendo punidos por exercer legitimamente seu trabalho. Em vez de perseguir profissionais da imprensa, as autoridades da Argélia devem assegurar que todos os jornalistas do país trabalhem livremente, sem intimidação, assédio ou ameaça de prisão", diz Amna Guellali, representante da Anisitia Internacional.