“Com diploma ou sem diploma o mercado de comunicação está crescendo”, diz Whitaker

Assim que anunciou, no ano de 2010, a criação dos cursos de graduação e pós-graduação em jornalismo, o conselho da ESPM teve de lidar com questionamentos sobre a necessidade de investir nessa área em um momento que o diploma para a graduação em jornalismo deixava de ser obrigatório.

Atualizado em 13/02/2012 às 12:02, por Luiz Gustavo Pacete.


Entretanto, foi exatamente a queda da obrigatoriedade que motivou a escola a criar um modelo baseado na comunicação e não nas plataformas. “A questão da não obrigatoriedade nos trouxe o seguinte insight: com diploma ou sem diploma, o mercado de comunicação está crescendo e vai demandar profissionais que saibam comunicar”, diz José Roberto Whitaker Penteado, diretor-presidente da instituição.

José Roberto Whitaker Penteado Os lançamentos encabeçam uma série de atividades e eventos que comemoram os 60 anos de criação da entidade. Whitaker explica que atualmente a questão não é mais o conteúdo, o desafio é organizar, explicar e saber levá-lo ao público.
O jornalista, escritor e publicitário destaca que se foi a propaganda que contribuiu para o fortalecimento da marca ESPM, agora será a ligação entre gestão e comunicação que guiará a ESPM para atender um universo de mais de 12 mil alunos espalhados por três unidades no Brasil.
De sua sala na sede da instituição, em São Paulo, Whitaker falou à IMPRENSA sobre a relação da escola com o mercado, como a ESPM lida com a tecnologia, o principal perfil do profissional de comunicação moderno e os desafios da comunicação contemporânea.
IMPRENSA - O que levou a ESPM a lançar cursos de jornalismo em um momento que o diploma deixou de ser obrigatório? J. Roberto Whitaker Penteado - A questão da não obrigatoriedade nos trouxe o seguinte insight: com diploma ou sem diploma, o mercado de comunicação está crescendo e vai demandar profissionais que saibam comunicar.
O curso veio para atender alguma necessidade específica do mercado? Tínhamos uma discussão interna que era para onde estávamos indo. Com tanta proximidade com o mercado de propaganda e marketing a ESPM foi se voltando cada vez mais para ser uma escola de negócios e não era isso que queríamos. Eu sempre defendi que o nosso negócio é comunicação, algo que vem crescendo no mundo inteiro. Com isso, adotamos a seguinte regra, “communication needs management” e “management needs communication”.
De que maneira as mudanças tecnológicas na comunicação têm influenciado na escola? Eu e você assistimos nos últimos trinta anos o que se pode descrever como uma grande explosão tecnológica na área das comunicações. Mas ao mesmo tempo prevaleceu a situação original da comunicação que envolve transmissor e receptor. De repente, você ficou com uma possibilidade muito grande de ter milhões de receptores e milhões de transmissores, isso abriu uma enorme porta. Só que não basta que as pessoas saibam o que está acontecendo é importante que elas entendam o que acontece.

É o comunicador que organiza essa informação... Eu participei do lançamento da revista Veja em 1968. Em seu mote publicitário ela dizia algo interessante: “os veículos de comunicação dizem a você o que está acontecendo, mas Veja explica”. Esse conceito justificava as perguntas que as pessoas faziam sobre a necessidade de mais uma revista semanal, além da Cruzeiro e da Manchete que já existiam. E esse conceito de criação da Veja vai ser cada vez mais importante.
Então a discussão não se restringe à forma, mas a organização do conteúdo? Acho que a base prevalece, se você vai exercer a profissão de comunicador no Brasil, precisa dominar os códigos da comunicação. Talvez algum dia, quando todos se comunicarem por telepatia, já não será necessária a linguagem, a escrita pode até desaparecer, mas a necessidade de dominar a comunicação continuará existindo. Não importa em que plataforma você vai comunicar, mas de que maneira vai comunicar.
Como vocês lidam com uma geração conhecida por ser multitarefa? Temos o cuidado de cultivar as ciências humanas que explicam as motivações, o comportamento e os desejos. Os professores me diziam que a nova geração fazia duas, três coisas ao mesmo tempo. Eu fui fazer uma pesquisa e encontrei no Canadá um professor que estudava percepção simultânea. Eu perguntei a ele se houve alguma evolução na capacidade humana para lidar com muitas informações ao mesmo tempo. Ele disse que não, apesar de estar fazendo várias coisas ao mesmo tempo a percepção do jovem não evoluiu. Isso é mais uma digressão do que uma conversão.
Qual o desafio da escola para o futuro? Nós devemos estar bem sintonizados com todas as grandes escolas de comunicação do mundo. Devemos nos conectar com o que se chama de indústria criativa. Essa sempre foi nossa matéria prima, a criatividade. E queremos estimular cada vez mais isso. Dentre os nossos projetos temos um entendimento com o Museu de Arte de São Paulo (Masp) para lançar uma escola conveniada, pois vemos que temos muito mais que aprender com as grandes instituições de arte no mundo do que com as escolas de negócio. O desenvolvimento da criatividade e a capacidade de percepção emocional estão cada vez mais importantes.

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