Com destaque para o Manga, começa o Festival Internacional de Cinema de Locarno

Com destaque para o Manga, começa o Festival Internacional de Cinema de Locarno

Atualizado em 04/08/2009 às 20:08, por Rui Martins/Em colaboração ao Portal IMPRENSA.

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Começa, nesta terça-feira (04), com destaque especial para os desenhos animados Manga japoneses, o "62° Festival Internacional de Cinema de Locarno", do qual participam filmes brasileiros e se mostram produções raras como da Coreia do Norte, da África do Sul e Mongólia, que nunca se verão nas salas comerciais de cinema ou, com um pouco de sorte, na Mostra de São Paulo.

Abertura no telão da Piazza Grande, com lugares sentados para nove mil pessoas, será com a comédia norteamericana Dias de Verão, deMarc Webb, seguida de um filme do israelense Amos Gitai, sobre seu espetáculo de teatro em Avignon, na França, A Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas.

Um dos temas dominantes, é o da imigração, de bastante atualidade, numa Europa que considera crime a imigração ilegal. Mas há também filmes sobre a busca de sua própria identidade das fugas impostas pela guerra, pelo medo ou pobreza, mostrando um outro aspecto dessa globalização dos excluídos. Donde surgem histórias novas como a de um italiano que revisita a Argentina, de um chinês emigrando para Londres, uma holandesa curiosa da Irlanda, de alemães viajando para o Cambodja ou de um francês em Lisboa.

Resta ainda um espaço para filmes sobre a relação do homem com a natureza, submetidas e controladas por interesses políticos e econômicos. E, como não poderia deixar de ser, diante da ameaça tráfica de um planeta superamecido e impossível para os seres humanos, surgem filmes sobre o fim do mundo ou, pelo menos, do nosso mundo. Uma outra versão do medo antigo de uma guerra nuclear, substituída por erros catastróficos ambientais.

O ponto forte desse festival, considerado o quarto em importância no ranking mundial, cuja grande atração é o telão de 300 m2 no centro de uma praça de estilo italiano lombardo, é a competição internacional. São 18 filmes de países diversos, de cinema independente, na competição ao Leopardo de Ouro, que nem sempre garante exibições nas salas hoje controladas por produtores de filmes comerciais, na maioria norteamericanos.

Entre os 18 filmes em competição um filme brasileiro, coprodução francobrasileira, do cineasta Esmir Filho, Os Famosos e os Duendes da Morte, ainda inédito no Brasil, numa estréia mundial. Também em português e em estréia mundial, o filme A Religiosa Portuguesa, coprodução francoportuguesa.

Participam, também, um filme angloiraniano, Frontier Blues, de Babak Jalali, e uma coprodução belgoargentina, La Cantante de Tango, de Diego Martinez Vignatti, dois filmes japoneses e um chinês, ainda desconhecidos. Em Locarno, tudo pode acontecer, porque é o festival mais centrado no mundo emergente.

Na categoria Cineastas do Presente, não poderia faltar um tema de grande atualidade a Faixa de Gaza durante o ataques israelenses, Piombo Fuso, de Stefano Savona. Richard Dindo, o documentarista suíço conhecido do público da Mostra de São Paulo, ressurge com seu primeiro filme americano - The Marsdreamers, um filme cheio de humor com utopistas americanos convencidos da necessidade de se conquistar o planeta Marte.

Dois brasileiros, Felipe Bragança e Marina Meliande, participam dessa competição com A Fuga, a Raiva, a Dança, a Bunda, a Boca, a Calma, a Vida da Mulher Gorila. O argentino Matias Piñeiro mostrará seu filme Todos Mienten.

Outro brasileiro, Gregorio Graziosi, participa de outra seção de filmes, a dos Leopardos de Amanhã, obras promissoras e prometedoras, com o filme Mira.

Na mostra Aqui e Além, o filme da brasileira Clarissa Campolina, Notas Flanantes, já mostrado no Brasil. Haverá também a estréia, nessa mesma mostra do filme, em estréia mundial, da brasileira Maya Da-Rin.