Com clima de Guerra Fria, prisão de repórter do WSJ pela Rússia acirra tensão entre Moscou e Washington
No primeiro caso do gênero desde o fim da Guerra Fria, o jornalista norte-americano Evan Gershkovich, repórter do Wall Street Journal, foi preso pelo serviço de segurança da Rússia, o FSB, sob acusação de espionagem.
Atualizado em 30/03/2023 às 09:03, por
Redação Portal IMPRENSA.
desde o fim da Guerra Fria, o jornalista norte-americano Evan Gershkovich, repórter do Wall Street Journal, foi preso pelo serviço de segurança da Rússia, o FSB, sob acusação de espionagem.
A última prisão de um jornalista dos EUA na Rússia por acusação de espionagem havia ocorrido em setembro de 1986. Na ocasião, o repórter Nicholas Daniloff, correspondente em Moscou do U.S. News and World Report, foi preso pela KGB - a antecessora da FSB. Daniloff foi libertado 20 dias depois, em uma troca por um funcionário da União Soviética nas Nações Unidas, que havia sido preso pelo FBI. Crédito:Reproduçãog1/AP Fachada do prédio do serviço de segurança da Rússia, o FSB (ex-KGB) Em um comunicado emitido hoje, o FSB afirmou que o jornalista do WSJ foi detido em flagrante na cidade de Ecaterimburgo, no centro-oeste da Rússia, enquanto tentava obter informações governamentais secretas sobre uma estação militar da Rússia.
Funções não jornalísticas
Por sua vez, a ministra de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que o repórter realizava "funções não jornalísticas" ao ser preso.
Em comunicado, o jornal criticou o governo russo. "O Wall Street Journal nega veementemente as alegações do FSB e busca a libertação imediata de nosso confiável e dedicado repórter Evan Gershkovich. Somos solidários com Evan e sua família."
Segundo a Reuters, Gershkovich escreve sobre a Rússia desde 2017 e já trabalhou no jornal The Moscow Times e na agência de notícias francesa Agence-France Presse. A última vez que ele esteve on-line no Telegram foi na quarta-feira às 13h28 de Moscou (07h28 no horário de Brasília). Sobre a desaceleração da economia russa em meio às sanções ocidentais, a reportagem mais recente dele foi publicada no início desta semana.
No campo diplomático, o potencial desastroso da prisão ainda é imprevisível. Mas não faltam indícios de que a detenção possa vir a ser o estopim de uma nova e mais destrutiva etapa do processo de acirramento das tensões entre Moscou e Washington no âmbito da guerra na Ucrânia.
Uma das principais vozes de oposição ao Kremlin, o jornalista Dmitry Muratov, ganhador do Nobel da Paz por sua defesa da liberdade de imprensa, tem advertido sobre o progressivo risco do conflito passar a envolver armamentos nucleares.
A última prisão de um jornalista dos EUA na Rússia por acusação de espionagem havia ocorrido em setembro de 1986. Na ocasião, o repórter Nicholas Daniloff, correspondente em Moscou do U.S. News and World Report, foi preso pela KGB - a antecessora da FSB. Daniloff foi libertado 20 dias depois, em uma troca por um funcionário da União Soviética nas Nações Unidas, que havia sido preso pelo FBI. Crédito:Reproduçãog1/AP Fachada do prédio do serviço de segurança da Rússia, o FSB (ex-KGB) Em um comunicado emitido hoje, o FSB afirmou que o jornalista do WSJ foi detido em flagrante na cidade de Ecaterimburgo, no centro-oeste da Rússia, enquanto tentava obter informações governamentais secretas sobre uma estação militar da Rússia.
Funções não jornalísticas
Por sua vez, a ministra de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que o repórter realizava "funções não jornalísticas" ao ser preso.
Em comunicado, o jornal criticou o governo russo. "O Wall Street Journal nega veementemente as alegações do FSB e busca a libertação imediata de nosso confiável e dedicado repórter Evan Gershkovich. Somos solidários com Evan e sua família."
Segundo a Reuters, Gershkovich escreve sobre a Rússia desde 2017 e já trabalhou no jornal The Moscow Times e na agência de notícias francesa Agence-France Presse. A última vez que ele esteve on-line no Telegram foi na quarta-feira às 13h28 de Moscou (07h28 no horário de Brasília). Sobre a desaceleração da economia russa em meio às sanções ocidentais, a reportagem mais recente dele foi publicada no início desta semana.
No campo diplomático, o potencial desastroso da prisão ainda é imprevisível. Mas não faltam indícios de que a detenção possa vir a ser o estopim de uma nova e mais destrutiva etapa do processo de acirramento das tensões entre Moscou e Washington no âmbito da guerra na Ucrânia.
Uma das principais vozes de oposição ao Kremlin, o jornalista Dmitry Muratov, ganhador do Nobel da Paz por sua defesa da liberdade de imprensa, tem advertido sobre o progressivo risco do conflito passar a envolver armamentos nucleares.





