Com ajuda de indigenista, Phillips queria mostrar projetos que funcionam a longo prazo na Amazônia
Jornalista de 57 anos nascido em Merseyside, no Reino Unido, Dom Phillips viajou pela Amazônia com o indigenista Bruno Pereira, pai de 41 anos de crianças de 2 e de 3 anos, para começar a apuração de um livro sobre a complexidade de implantar estratégias de desenvolvimento sustentável na maior floresta tropical do mundo.
Atualizado em 14/06/2022 às 11:06, por
Redação Portal IMPRENSA.
em Merseyside, no Reino Unido, Dom Phillips viajou pela Amazônia com o indigenista Bruno Pereira, pai de 41 anos de crianças de 2 e de 3 anos, para começar a apuração de um livro sobre a complexidade de implantar estratégias de desenvolvimento sustentável na maior floresta tropical do mundo.
Essa não foi a primeira expedição jornalística da dupla na região. Em uma série de viagens nos últimos quatro anos, eles partiram juntos em busca de histórias e personagens da Amazônia, se agachando em canoas e amarrando suas redes ao lado uma da outra em árvores típicas da região.
Segundo amigos, os insetos, a chuva, os dias sem banho e alimentação adequada eram o paraíso para o jornalista. “Ele tinha um amor profundo, um respeito, um fascínio e uma necessidade de entender a complexidade da Amazônia”, disse sua esposa, Alessandra Sampaio, ao O Globo. Crédito: Reprodução Imagens de Bruno Pereira e Dom Phillips durante expedição jornalística pela Amazônia Tais viagens contrastavam com a vida pregressa de Phillips na Inglaterra, onde foi colunista de comportamento do Independent e do Sunday e editor da revista de música Mixmag. O jornalista chegou ao Brasil em 2007, quando escrevia um livro sobre a cultura rave, obra considerada essencial hoje para entender o universo dos DJs e da música eletrônica.
Correspondente estrangeiro
Desde então, Phillips nunca mais voltou ao Reino Unido. No Brasil, construiu uma nova carreira como respeitado correspondente estrangeiro. Nessa nova função, grande parte de seu trabalho foi publicada no Guardian e no Washington Post. O foco na temática ambiental ganhou força no final da década de 2010.
Praticante de atividades ao ar livre, como caminhada e remo, e amante da natureza, Phillips tinha ótima forma física e não aparentava ser quase um "60tão".
A ideia de seu novo livro era mostrar quais projetos de desenvolvimento sustentável efetivamente funcionam no longo prazo na Amazônia - e quais tornam a floresta e as pessoas que vivem lá mais pobres. Ele entrevistou garimpeiros, ribeirinhos, indígenas e ambientalistas. Sua proposta era dar voz a quem normalmente não é ouvido.
A parceria com Pereira começou durante uma expedição à região em 2018, quando o indigenista trabalhava para a Funai. Em um artigo sobre a jornada, Phillips narrou como a equipe viajou 950 km de barco e caminhou por dias na selva.
Miolo de macaco
No mesmo texto, descreveu Pereira como alguém que “vestindo apenas shorts e chinelos, se agacha na lama, abre o crânio cozido de um macaco com uma colher e come seu miolo no café da manhã enquanto discute política”.
Pereira foi exonerado da Funai no último dia 4, pela atual direção do órgão. Ele chefiava a coordenação-geral do setor de indígenas isolados e há inúmeros relatos de que vinha sofrendo ameaças.
O desaparecimento da dupla, no dia 5 de junho, enquanto realizava uma expedição jornalística pela região do Vale do Javari, no oeste do estado do Amazonas, gerou uma onda de reações de entidades de defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos.
Em resposta a ação protocolada por tais organizações, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) decretou medida cautelar contra o Brasil. Segundo a ação, o estado brasileiro foi negligente na tomada de ações referente ao desaparecimento.
Entre as entidades que protocolaram a ação estão Artigo 19, Instituto Vladimir Herzog, Repórteres sem Fronteira, Alianza Regional por la Libre Expresión e Información, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Tornavoz e Washington Brazil Office (WBO).
Ao examinar a denúncia, que alega que os esforços do governo só ocorreram após pressão da sociedade civil, a CIDH solicitou que o Brasil redobre os esforços para localizar os desaparecidos e informe sobre as ações adotadas na busca.
Essa não foi a primeira expedição jornalística da dupla na região. Em uma série de viagens nos últimos quatro anos, eles partiram juntos em busca de histórias e personagens da Amazônia, se agachando em canoas e amarrando suas redes ao lado uma da outra em árvores típicas da região.
Segundo amigos, os insetos, a chuva, os dias sem banho e alimentação adequada eram o paraíso para o jornalista. “Ele tinha um amor profundo, um respeito, um fascínio e uma necessidade de entender a complexidade da Amazônia”, disse sua esposa, Alessandra Sampaio, ao O Globo. Crédito: Reprodução Imagens de Bruno Pereira e Dom Phillips durante expedição jornalística pela Amazônia Tais viagens contrastavam com a vida pregressa de Phillips na Inglaterra, onde foi colunista de comportamento do Independent e do Sunday e editor da revista de música Mixmag. O jornalista chegou ao Brasil em 2007, quando escrevia um livro sobre a cultura rave, obra considerada essencial hoje para entender o universo dos DJs e da música eletrônica.
Correspondente estrangeiro
Desde então, Phillips nunca mais voltou ao Reino Unido. No Brasil, construiu uma nova carreira como respeitado correspondente estrangeiro. Nessa nova função, grande parte de seu trabalho foi publicada no Guardian e no Washington Post. O foco na temática ambiental ganhou força no final da década de 2010.
Praticante de atividades ao ar livre, como caminhada e remo, e amante da natureza, Phillips tinha ótima forma física e não aparentava ser quase um "60tão".
A ideia de seu novo livro era mostrar quais projetos de desenvolvimento sustentável efetivamente funcionam no longo prazo na Amazônia - e quais tornam a floresta e as pessoas que vivem lá mais pobres. Ele entrevistou garimpeiros, ribeirinhos, indígenas e ambientalistas. Sua proposta era dar voz a quem normalmente não é ouvido.
A parceria com Pereira começou durante uma expedição à região em 2018, quando o indigenista trabalhava para a Funai. Em um artigo sobre a jornada, Phillips narrou como a equipe viajou 950 km de barco e caminhou por dias na selva.
Miolo de macaco
No mesmo texto, descreveu Pereira como alguém que “vestindo apenas shorts e chinelos, se agacha na lama, abre o crânio cozido de um macaco com uma colher e come seu miolo no café da manhã enquanto discute política”.
Pereira foi exonerado da Funai no último dia 4, pela atual direção do órgão. Ele chefiava a coordenação-geral do setor de indígenas isolados e há inúmeros relatos de que vinha sofrendo ameaças.
O desaparecimento da dupla, no dia 5 de junho, enquanto realizava uma expedição jornalística pela região do Vale do Javari, no oeste do estado do Amazonas, gerou uma onda de reações de entidades de defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos.
Em resposta a ação protocolada por tais organizações, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) decretou medida cautelar contra o Brasil. Segundo a ação, o estado brasileiro foi negligente na tomada de ações referente ao desaparecimento.
Entre as entidades que protocolaram a ação estão Artigo 19, Instituto Vladimir Herzog, Repórteres sem Fronteira, Alianza Regional por la Libre Expresión e Información, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Tornavoz e Washington Brazil Office (WBO).
Ao examinar a denúncia, que alega que os esforços do governo só ocorreram após pressão da sociedade civil, a CIDH solicitou que o Brasil redobre os esforços para localizar os desaparecidos e informe sobre as ações adotadas na busca.





