"Colocar a culpa na faculdade é um tiro no pé", diz representante dos cursos do "Estadão"
Em março, IMPRENSA discutiu o curso de jornalismo no Brasil. Em meio ao debate de revisão das diretrizes curriculares - em pauta desde 2009,e ainda sem previsão de conclusão -, reunimos jornalistas, especialistas e coordenadores de alguns dos maiores programas de treinamento do país para tentar responder a duas questões: que curso será construído para as próximas gerações?
Atualizado em 05/03/2013 às 14:03, por
Guilherme Sardas e Jéssica Oliveira*.
Quem são os jornalistas recém-formados atualmente?
No debate, temas como a qualidade do estudante que chega às redações e suas principais qualidades e carências, a especificidade do jornalismo em relação à comunicação social, a atualização digital, a dinâmica ideal entre teoria e prática, a regionalização do ensino, entre outros. A matéria completa pode ser lida na edição 287 de IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Responsável pelos cursos do "Estadão" fala sobre estudantes
Até sexta (8/3), publicaremos no portal as entrevistas com os responsáveis pelos programas de treinamento dos jornais Folha de S.Paulo ( ) , O Estado de S. Paulo, O Globo, O Povo e da TV Globo.
Marilena Oliveira, assistente da coordenação dos Cursos de Jornalismo de O Estado de São Paulo , comentou que, apesar de toda a defasagem do cursos com o dia a dia das redações, o aluno não pode se acomodar, mas antes ser responsável por sua formação. Segundo ela, culpar a faculdade é um tiro no pé. Confira abaixo os principais pontos da entrevista.
IMPRENSA - Partindo das dúvidas, comentários e experiências que os selecionados do curso apresentam, a grade curricular das faculdades condiz com o mercado que eles encontram hoje? Por quê? Marilena Oliveira - Tenho conhecimento, lido e convivo com uma turma que já passou por um crivo de seleção grande. Uma turma de 30, que já foi selecionada de 800 inscritos, dependendo do ano. Já foram avaliados pela internet, conhecimentos gerais, entrevista, prova presencial... Então tenho como referencial uma nata do que sai da faculdade. O que percebemos é que algumas faculdades têm rendido mais candidatos que passam por essa peneira. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) nos últimos anos tem mandado um grupo de candidatos muito bons, por exemplo.
Há exigência de estar cursando a faculdade de jornalismo? O Estadão acredita na importância do diploma? A faculdade dá fundamentos que não dá para ensinar na prática. Espera-se que ele [estudante] saiba o mínimo das diferenças dos textos jornalísticos. Falta muito em comparação do que é exigido no dia a dia de uma redação, mas a faculdade tem que dar o básico de conceitos, de fundamentos. Claro que não tem mágica. Mesmo com a base, a realidade de uma redação é muito diferente. Não deixa de ser um choque. Sempre vai ter o amadurecimento do que foi aprendido na faculdade, a bagagem da vida acadêmica e pessoal. Isso não só no jornalismo, mas em qualquer profissão.
Os jornalistas recém-formados chegam com noções de empreendedorismo, vontade e/ou curiosidade de conhecer outras frentes de atuação, como comunicação corporativa ou assessoria de imprensa, por exemplo? Normalmente, o que chega aqui [no Estadão] já veio atrás de um espaço na imprensa, de uma grande redação, de um grande veículo. Essa geração vem com uma cabeça que pode tanto escrever para a internet, rádio, impresso ou TV. Falta treino, mas ela tem a cabeça aberta. Se o estudante chegar escolhendo, vai dançar. Não importa mais se vai fazer jornalismo na internet, rádio, TV, o repórter tem que ter qualidade, cuidado de apuração, ouvir várias fontes, ter ética.
Quais as maiores deficiências e/ou dificuldades dos alunos que entram no curso? E as maiores potencialidades? O exercício de pauta e apuração é o que sentimos mais angústia. Às vezes eles se atropelam para dar a notícia antes porque a internet e a velocidade estão aí. Acredito que a pressa é o maior desafio da geração. Falta treino e reflexão na hora de pensar e apurar a pauta. Sabemos que há mil problemas e defasagens, mas tem que se considerar também a comodidade do aluno que reclama. O aluno tem que ser responsável pela sua formação. Por a culpa na faculdade é um tiro no pé.
Com supervisão de Guilherme Sardas*
No debate, temas como a qualidade do estudante que chega às redações e suas principais qualidades e carências, a especificidade do jornalismo em relação à comunicação social, a atualização digital, a dinâmica ideal entre teoria e prática, a regionalização do ensino, entre outros. A matéria completa pode ser lida na edição 287 de IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Responsável pelos cursos do "Estadão" fala sobre estudantes
Até sexta (8/3), publicaremos no portal as entrevistas com os responsáveis pelos programas de treinamento dos jornais Folha de S.Paulo ( ) , O Estado de S. Paulo, O Globo, O Povo e da TV Globo.
Marilena Oliveira, assistente da coordenação dos Cursos de Jornalismo de O Estado de São Paulo , comentou que, apesar de toda a defasagem do cursos com o dia a dia das redações, o aluno não pode se acomodar, mas antes ser responsável por sua formação. Segundo ela, culpar a faculdade é um tiro no pé. Confira abaixo os principais pontos da entrevista.
IMPRENSA - Partindo das dúvidas, comentários e experiências que os selecionados do curso apresentam, a grade curricular das faculdades condiz com o mercado que eles encontram hoje? Por quê? Marilena Oliveira - Tenho conhecimento, lido e convivo com uma turma que já passou por um crivo de seleção grande. Uma turma de 30, que já foi selecionada de 800 inscritos, dependendo do ano. Já foram avaliados pela internet, conhecimentos gerais, entrevista, prova presencial... Então tenho como referencial uma nata do que sai da faculdade. O que percebemos é que algumas faculdades têm rendido mais candidatos que passam por essa peneira. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) nos últimos anos tem mandado um grupo de candidatos muito bons, por exemplo.
Há exigência de estar cursando a faculdade de jornalismo? O Estadão acredita na importância do diploma? A faculdade dá fundamentos que não dá para ensinar na prática. Espera-se que ele [estudante] saiba o mínimo das diferenças dos textos jornalísticos. Falta muito em comparação do que é exigido no dia a dia de uma redação, mas a faculdade tem que dar o básico de conceitos, de fundamentos. Claro que não tem mágica. Mesmo com a base, a realidade de uma redação é muito diferente. Não deixa de ser um choque. Sempre vai ter o amadurecimento do que foi aprendido na faculdade, a bagagem da vida acadêmica e pessoal. Isso não só no jornalismo, mas em qualquer profissão.
Os jornalistas recém-formados chegam com noções de empreendedorismo, vontade e/ou curiosidade de conhecer outras frentes de atuação, como comunicação corporativa ou assessoria de imprensa, por exemplo? Normalmente, o que chega aqui [no Estadão] já veio atrás de um espaço na imprensa, de uma grande redação, de um grande veículo. Essa geração vem com uma cabeça que pode tanto escrever para a internet, rádio, impresso ou TV. Falta treino, mas ela tem a cabeça aberta. Se o estudante chegar escolhendo, vai dançar. Não importa mais se vai fazer jornalismo na internet, rádio, TV, o repórter tem que ter qualidade, cuidado de apuração, ouvir várias fontes, ter ética.
Quais as maiores deficiências e/ou dificuldades dos alunos que entram no curso? E as maiores potencialidades? O exercício de pauta e apuração é o que sentimos mais angústia. Às vezes eles se atropelam para dar a notícia antes porque a internet e a velocidade estão aí. Acredito que a pressa é o maior desafio da geração. Falta treino e reflexão na hora de pensar e apurar a pauta. Sabemos que há mil problemas e defasagens, mas tem que se considerar também a comodidade do aluno que reclama. O aluno tem que ser responsável pela sua formação. Por a culpa na faculdade é um tiro no pé.
Com supervisão de Guilherme Sardas*






