Coleguinhas: Uma mão no volante, outra no disparador

Coleguinhas: Uma mão no volante, outra no disparador

Atualizado em 07/07/2006 às 19:07, por Redação Revista Imprensa.

Há 11 anos, Bill Silva, 47, entrou no Grupo Estado como motorista. Encantado com a rotina de trabalho de fotógrafos e repórteres do jornal O Estado de S. Paulo , Silva passou a fotografá-los para mostrar à sua família. "Sempre gostei de fotos, e como achava o trabalho deles super interessante, comecei a fazer fotos com minha máquina Yashica. Até que, quando eu já estava com um bom número de fotos, levei para o Silvio Ribeiro - na época chefe da fotografia do jornal", conta.

Ribeiro - que já havia pensado em registrar em fotos os trabalhos dos jornalistas - levou as imagens de Bill para a direção do Estadão , que resolveu patrocinar o hobby . "Foi então que o jornal passou a me dar os filmes e pagar as revelações das fotos, para que fizesse imagens de todos os fotógrafos do jornal", diz. Para isso, Silva passou por todos horários possíveis, para que pudesse acompanhar o trabalho de todos os 30 fotógrafos trabalhando.

Com esse rico material em mãos, as fotografias feitas por Bill não poderiam ficar apenas engavetadas. O que era apenas para ser mostrado para a família, se tornou uma exposição que já esteve até mesmo no sofisticado Shopping Iguatemi, em São Paulo. "Onde a exposição vai, faz sucesso. Fico envaidecido por isso", garante o motorista/fotógrafo, que passou a fotografar também o trabalho dos repórteres.

O trabalho descomprometido já lhe rende alguns louros: além dos convites para viajar pelo Brasil, ele teve duas de suas fotos publicadas na capa do jornal, já foi tema de matérias do exterior e é o assunto de um curta-metragem, idealizado pela jornalista Mônica Maia. "Nunca pensei que poderia chegar a tanto tirando fotos. Dei palestras na Faculdade Santa Marcelina, na ECA, UniFIAM e UniFMU. Nesta última, sentei na mesma cadeira em que já tinha sentado o presidente Lula", orgulha-se.

Quanto a abandonar a profissão de motorista e abraçar de vez a nova carreira, Silva - que hoje já tem quatro câmeras, todas ganhadas de presente - diz que jamais pensou em trocar de profissão. "Nunca pensei nisso. Tenho pouco estudo e tudo o que aprendi foi vendo os profissionais trabalharem", afirma Bill que, enfim, poderá lucrar com seu talento. Será lançado brevemente, um livro de 160 páginas, com 80 de suas melhores fotos. "O projeto já foi aprovado pela Lei Rouanet e estamos aguardando apenas um patrocinador", completa.

Leia matéria completa na edição 214 de IMPRENSA