Coisas que não entendo

Coisas que não entendo

Atualizado em 20/08/2009 às 18:08, por Lucia Faria.

Um pai de família aguarda a mulher ao lado de seu carro, um utilitário prateado, no estacionamento do hipermercado. É negro. Apanha do segurança, que pensa se tratar de ladrão, e o caso vai parar no Jornal Nacional. A marca do hipermercado aparece enorme na tela e o país fica sabendo pelo nosso principal telejornal que aquela empresa contrata seguranças despreparados, preconceituosos e truculentos. Uma vergonha que deve ser levada a público. Até aí eu entendo.

Por outro lado, uma empresa realiza um megaprojeto social para viabilizar uma biblioteca ambulante em cidades muito pobres do país. O projeto é incrível e ganha espaço na TV, que concede alguns segundos para destacar o burrico levando livros nas costas. É emocionante ver uma criança tomando contato pela primeira vez com coloridas páginas de histórias. Só que o nome do patrocinador, daquele que tomou a iniciativa e investiu milhares de reais, não aparece. Isso não entendo.

Queria que alguém de TV, veículo no qual nunca trabalhei, me explicasse os motivos de o nome de uma empresa aparecer nos telejornais apenas quando a notícia é negativa. Por que não incentivar as boas práticas, nomear aquelas corporações que se preocupam com o bem-estar dos funcionários e da comunidade de uma forma geral?

É comum equipes de TV tomarem um tempo precioso das pessoas para entrevistas. A simples presença deles no local já causa uma quebra de rotina: gravam, regravam, ouvem o empresário, é uma loucura. Mas na hora de ir ao ar, o nome da empresa desaparece, independentemente de se tratar de um projeto em prol do bem comum. Honestamente, eu gostaria de entender.