"Cobertura de Ferguson mostra que o jornalismo tem problemas", diz colunista norte-americana

Segundo Kathleen Parker, televisão dos EUA abusa do sensacionalismo.

Atualizado em 04/12/2014 às 19:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Em um publicado nesta quinta-feira (4/12) no site do jornal The Columbian , a colunista norte-americana Kathleen Parker criticou a cobertura da imprensa dos EUA sobre os protestos em Ferguson. Para ela, o "jornalismo tem problemas".
Kathleen, que escreve também para o Washington Pos t, esclarece que sua opinião se limita ao que se vê na televisão. "Pessoas na mídia impressa observam e transcrevem o que testemunham, deixando aos leitores que visualizem o fato com seus próprios recursos intelectuais. Não é difícil entender por que tão poucos leiam algo maior do que um tuíte. Para quê se esforçar quando deliciosos aperitivos de notícias estão a apenas um clique de distância? E quem você pensa que chama mais a atenção de manifestantes, delinquentes e saqueadores? Com certeza não o cara com um notebook no colo", escreveu.
A escritora diz que, quando se fala em mídia, ela quer dizer "televisão". E, nesse sentido, o sensacionalismo visto na cobertura do julgamento do policial que matou o jovem negro Michael Brown fomentou o caos que se instaurou em cidades do Missouri. "Câmeras não somente capturam a ação, mas em alguns casos dão início à ação. Não significa que a mídia não deveria estar lá - nem que veículos de imprensa queiram que as coisas deem errado para aumentar a audiência. Exceto, é claro, quando alguns querem", continua.
"Um dia ruim na América é um bom dia numa redação", escreve ainda a colunista. Para ela, a mídia tem razão em cobrir por todos os ângulos um caso como esse, mas deve tomar cuidado para não contribuir com nenhum dos lados da discussão, abusando do sensacionalismo em nome da audiência.
"A mídia pode não ter sido a causa de os eventos terem saído de controle em Ferguson. Mas quando ativistas posando de jornalistas têm programas de TV, onde eles podem expor suas paixões - e quando alguns veículos decidem dar mais destaque para certas questões não em nome da justiça, temos que admitir, mas pela audiência - então o jornalismo tem problemas. E isso significa que a América tem problemas", finaliza.