Ciro Gomes ataca imprensa de forma recorrente, dizem entidades

Onze organizações de defesa da liberdade de imprensa assinam uma carta divulgada nesta terça-feira (27), na qual acusam o candidato à presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, e um integrante de sua campanha de atacar jornalistas.

Atualizado em 27/09/2022 às 15:09, por Redação Portal IMPRENSA.


As entidades citam o debate do último sábado (24) entre os presidenciáveis, promovido pela CNN Brasil em parceria com o SBT, Estadão/Rádio Eldorado, Veja, Terra e NovaBrasilFM. Ciro atacou a colunista do portal Terra Tatiana Farah quando ela perguntou sobre uma possível adesão do PDT à candidatura de Lula (PT) em um eventual segundo turno. Ciro afirmou que “uma das coisas graves que o lulopetismo corrupto tá produzindo no Brasil é a morte do jornalismo”. Crédito:Reprodução Flow Podcast Ciro Gomes em entrevista ao Flow Podcast As entidades também afirmam que, durante sabatina promovida semana passada pelo Estadão em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Ciro "insinuou que o PT intoxicou a cabeça de Pedro Venceslau, repórter de política do Estadão e colunista da Eldorado". A fala do candidato deu-se após Venceslau perguntar se Ciro iria para Paris em um eventual segundo turno.
Ainda de acordo com as entidades, em um "podcast de grande audiência", Ciro acusou Venceslau de ter "feito trabalho sujo a serviço do gabinete do ódio de Lula" e completou dizendo que, se fosse editor do jornal, demitiria o repórter.
A carta informa ainda que, no domingo (25), durante programa do PDT nacional na internet, Gustavo Castañon, representante do diretório nacional do partido, chamou o jornalista Leandro Demori de “bosta”. O xingamento foi feito após Demori citar em sua newsletter uma reportagem do UOL sobre filiados do PDT envolvidos em grupos de extrema-direita.
Carta-compromisso

No início da campanha eleitoral, as entidades que estão criticando Ciro enviaram uma carta compromisso aos candidatos à presidência da República, pedindo que eles, seus partidos e coligações se comprometessem com a defesa do livre exercício da atividade jornalística no período eleitoral. Elas lembram que, apesar de ser signatário da carta-compromisso, o candidato do PDT adota um discurso que ataca o jornalismo e que não contribui para prevenir a violência contra jornalistas.
"Agir dessa maneira tem efeito contrário: fomenta, indiretamente, novas agressões. É do jogo democrático inquirir postulantes a cargos públicos sobre suas contradições – como também criticar reportagens e opiniões. Todavia, desacreditar profissionais e classificá-los como militantes disfarçados e enviesados produz um ambiente hostil em um ciclo eleitoral já marcado por extrema violência contra a imprensa."
Assinam a carta as entidades Artigo 19, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Instituto Palavra Aberta, Instituto Vladimir Herzog, Intervozes, Repórteres sem Fronteiras (RSF) e Tornavoz.