Cinegrafista é agredido durante desocupação de terras no RS
Cinegrafista é agredido durante desocupação de terras no RS
Na última terça-feira (4), o cinegrafista Mateus Flores, do Centro de Mídia Independente (CMI), foi detido durante trinta minutos e teve seu equipamento confiscado por policiais militares durante a cobertura da desocupação da fazenda Tarumã, no Rio Grande do Sul.
De acordo com jornalistas que estavam no local, os policiais também fizeram ameaças e impediram que os profissionais e veículos de imprensa registrassem o que acontecia na desocupação da fazenda, que contava com cerca de 800 mulheres da Via Campesina acampadas desde a última segunda-feira (3).
"Tivemos nosso direito de cobrir o fato retirado, não pudemos acompanhar de perto o que aconteceu", afirmou Ronan Dannenberg, repórter do jornal Zero Hora , de Porto Alegre. Flores recuperou sua câmera, porém sem o DVD onde havia registrado as ações violentas dos policiais. Segundo ele, nas imagens havia policiais rasgando as faixas que as mulheres carregavam e agressões físicas a duas manifestantes.
O objetivo da ocupação era protestar contra a compra de terras pela fabricante de celulose sueco-finlandesa, Stora Enzo. Segundo a imprensa, a empresa comprou 45 mil hectares no RS, onde planta eucaliptos e planeja a construção de uma fábrica.
A Via Campesina argumenta que as terras localizadas na fronteira com o Uruguai não poderiam ser adquiridas por uma empresa do exterior, já que a legislação brasileira proíbe grupos estrangeiros de explorarem recursos naturais em terras localizadas na zona fronteiriça. A Stora Enzo entrou na Justiça e obteve ordem judicial para desocupar as terras.
Já para Eduardo Seidl, jornalista do jornal Correio do Povo , o afastamento da imprensa não tinha o objetivo de preservar a segurança dos repórteres. "Fomos isolados. De onde estávamos não dava para tirar fotos, filmar ou ouvir o que se passava", finaliza.
As informações são da ONG ARTIGO 19.
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