Cineastas e governo discutem combate à pirataria no setor audiovisual
Cineastas e governo discutem combate à pirataria no setor audiovisual
Na intenção de coibir a pirataria no setor audiovisual do Brasil, o Ministério da Justiça promete colocar em ação uma série de medidas que unirão o governo federal à classe cinematrográfica no combate a esta prática. Para isso, Luiz Paulo Barreto, presidente do Conselho Nacional de Combate a Pirataria (CNPC), se reuniu nesta segunda-feira (28) com cineastas e produtores na sede da Agência Nacional de Cinema (Ancine), na cidade do Rio de Janeiro.
"O cinema nacional está em forte evolução nesse momento. Vários filmes estão sendo lançados. E a gente tem a preocupação de que a pirataria acabe por prejudicar esses filmes", afirmou Barreto, segundo informa a Agência Brasil.
Além da mobilização de toda a indústria do cinema nacional, a iniciativa de combate à pirataria terá o apoio da Polícia Federal, Polícia Rodoviária e da Receita Federal. "Tanto os produtores como os distribuidores e exibidores, para tentarmos fazer uma contenção da pirataria, principalmente de filmes nacionais", explicou o presidente da CNPC. As forças polícias de cada estados também serão requisitadas em grandes operações de apreensão. Campanhas informativas à população sobre o tema da pirataria também fazem parte da estratégia de combate.
A aproximação dos setores público e privado visa potencializar a repressão à falsificação e venda ilegal de material protegido por direitos autorais. Segundo Barreto, para que a pirataria seja combatida de forma eficaz, o controle sobre as mídias por parte das empresas deve ser rigoroso. "[As medidas devem começar] com o controle do acesso das cópias, começam também com o controle na hora de fazer a produção final, para que não vaze dentro da própria indústria, como aconteceu com o [filme] Tropa de Elite, que vazou dentro da linha de produção", observou.
Será feito também um trabalho de fiscalização nas salas de cinema com objetivo de impedir a entrada de câmeras de vídeo nas sessões, uma vez que boa parte das falsificações que circulam no mercado nacional é produzida utilizando-se este artifício. "A gente desconfia que algumas pessoas que fazem a exibição dos filmes podem estar facilitando que outras entrem fora do horário da sessão somente para gravar e depois jogar na pirataria. Essa é uma maneira também de pirataria que nós temos que conter", alertou Barreto.
"Está mais do que na hora de se fazer esse esforço conjunto, com comprometimento de todos os atores desse mercado, tanto do ministério, como a Polícia Federal e a Receita Federal, a Polícia Rodoviária, os exibidores, produtores, distribuidores. Se a gente não se unir em torno dessa questão, não vamos resolver", comentou a produtora cinematográfica Paula Barreto, filha do cineasta Luís Carlos Barreto, que elogiou a proposta de combate à pirataria no setor.
A prática da pirataria, segundo relata a produtora, fez decrescer de forma abrupta a venda de DVD no país. Antes da disseminação das falsificações, os filmes nacionais vendiam entre quatrocentas e quinhentas mil cópias. Hoje, não chegam a vender 25 mil. Ela revelou, ainda, que o governo perde R$ 30 bilhões em arrecadação de impostos e mais de dois milhões de empregos são perdidos em razão do mercado da pirataria.
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