China usou pandemia para aumentar controle sobre jornalistas estrangeiros, diz relatório

Divulgada nesta segunda (1), a atual edição do relatório anual do Clube de Correspondentes Estrangeiros na China (FCCC, na sigla em inglês)

Atualizado em 01/03/2021 às 19:03, por Redação Portal IMPRENSA.

ganhou repercussão na mídia internacional ao indicar uma "considerável deterioração" na situação da imprensa estrangeira na China em 2020.
O estudo foi realizado entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. Estima-se que um terço dos correspondentes estrangeiros presentes na China, ou cerca de 150 jornalistas, responderam o questionário. O FCCC conta com 220 associados.
De acordo com o levantamento, houve 18 expulsões de jornalistas estrangeiros no país no ano passado, incluindo profissionais que trabalhavam para os veículos New York Times, Wall Street Journal, Washington Post, BBC e Le Monde. Crédito:Reprodução Facebook/FCCC
O trabalho também constatou diminuição na concessão de vistos para profissionais de imprensa, aumento das pressões políticas exercidas por autoridades locais, perseguição judicial e diferentes tipos de restrições ao trabalho dos correspondentes, grande parte decretada "em nome do combate à covid-19".
Ainda de acordo com a pesquisa, nenhum correspondente declarou que suas condições de trabalho melhoraram.
Retaliação As saídas forçadas de correspondentes americanos da China foram uma retaliação a atitude semelhante tomada dias antes pelos Estados Unidos: no ano passado o governo do então presidente Donald Trump expulsou dezenas de correspondentes chineses do solo americano.
No caso do banimento de jornalistas americanos da China, o FCCC classificou o episódio como a "maior expulsão de jornalistas estrangeiros desde a época do massacre da Praça da Paz Celestial, há mais de 30 anos".
Além de expulsar jornalistas de veículos americanos e europeus, os chineses reduziram a validade da credencial de pelo menos 13 correspondentes, do período usual de um ano para seis meses.
O número de casos relatados de jornalistas vítimas de intimidações subiu 44% em 2020. Haze Fan, da agência Bloomberg News, está detida desde dezembro por acusação de "ameaças à segurança nacional".
Para o FCC, a China usou a pandemia para aumentar ainda mais seu controle sobre os jornalistas, chegando a ameaçar correspondentes a quarentena forçada ou à realização de testes de detecção do novo coronavírus não consentidos.
O relatório destaca ainda que, ao contrário dos jornalistas, outras profissões não foram sujeitas pelo governo comunista a regime especial de concessão de vistos de trabalho.