China proíbe reportagens sobre corrupção sem autorização prévia do governo

Governo chinês avalia medida como decorrente da má conduta de jornalistas, que teriam veiculado notícias falsas e reportagens pagas.

Atualizado em 20/06/2014 às 18:06, por Redação Portal IMPRENSA.

Em nova medida de controle de informações, a China pretende proibir reportagens sobre corrupção na imprensa local sem que sejam aprovadas previamente pelo governo local. A proibição foi implantada nesta semana pela Administração Estatal de Imprensa, Publicação, Rádio, Cinema e Televisão do país, órgão governamental que regulamenta o trabalho dos profissionais de comunicação.

Segundo as diretrizes da determinação aprovada, o jornalista que tiver suas atividades classificadas como “ilícitas”, pode ser processado e perder sua carteira profissional. De acordo com o jornal O Globo , a ação também restringe a área de atuação de trabalhadores, que não podem mais cobrir regiões em que eles não costumam atuar. Em comunicado divulgado em seu site oficial, a Administração Estatal de Imprensa afirma em comunicado que as novas regras foram decididas após uma série de casos envolvendo a má conduta por parte de alguns jornalistas, incluindo a veiculação de notícias falsas e reportagens pagas.

Crédito:Reprodução Jornal chinês faz constantes denúncias sobre corrupção no país e pode ter trabalho prejudicado com novas regras Conhecido por apresentar matérias investigativas a respeito dos males sociais e da corrupção na China, os jornais Southern Weekend e Caixin podem ter seu trabalho prejudicado com as novas restrições. Em 2013, o Caixin havia publicado uma série de artigos sobre os interesses comerciais da família do ex-chefe de segurança Zhou Yongkang, um dos motivos que culminou a saída do oficial na gestão pública do país.

“Esse tipo de informação pode ser mais difícil com as novas regras”, disse Ji Shuoming, jornalista chinês que atua na capital do país. Para ele, os repórteres que fazem investigações mais complexas terão dificuldades em escrever artigos e não devem se aventurar fora de suas regiões. “Agora eles têm essa restrição, se não gostar do que você escreveu eles podem dizer que você violou as regras”, opina Ji, autor de uma reportagem a respeito dos interesses comerciais de Li Xiaolin, a filha do ex-primeiro-ministro Li Peng.
Em ranking que avalia a liberdade de imprensa no mundo divulgado pela organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras, a China figura como um dos países mais fechados do mundo, em 173º lugar das 179 nações consideradas.