China dificulta trabalho da imprensa em província atingida por terremoto em 2008

China dificulta trabalho da imprensa em província atingida por terremoto em 2008

Atualizado em 07/05/2009 às 13:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Profissionais de imprensa de todo o mundo sofrem intervenções durante seu trabalho de balanço de um ano do terremoto que atingiu a província de Sichuan, na China, e deixou cerca de oitenta mil mortos.

Desde o último dia 1º de abril, o Clube de Correspondentes Estrangeiros do país registrou seis casos de interferência no trabalho de jornalistas enviados a Sichuan para analisar a situação da província um ano após a tragédia. Na maioria dos casos de repressão, os jornalistas foram agredidos, ainda que ninguém tenha ficado ferido.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo , em março, o Governo da China anunciou que os repórteres que fossem a Sichuan precisariam se registrar previamente. Desse modo, os jornalistas são obrigados a comunicar as autoridades locais sobre a reportagem e então aguardar autorização, o que pode demorar muito.

"Não apenas há pais que têm sido ameaçados, detidos e, em alguns casos, chutados e socados por funcionários e forças de segurança, como o governo também tem pressionado muitas das famílias das vítimas a aceitar uma compensação única em troca da interrupção das demandas por uma investigação pública (das condições das mortes)", afirmou a entidade Human Rights Watch em documento divulgado na última quarta-feira (6).

As agressões contra os jornalistas sãos feitas, segundo a entidade, por grupos paramilitares que não sofrem interferência das autoridades da província.

Casos registrados em abril

Cerca de dez pessoas cercaram a repórter Katri Moakknonen e sua equipe na região de Fuxin e tentaram tomar os equipamentos . "Nós quase perdemos nossa câmera. Foi muito violento", relato Katri.

O jornalista Jamil Anderlini, do Financial Times , foi vítima de intervenções em suas reportagens duas vezes em menos de 24 horas. A primeira interferência ocorreu quando ele tentava entrevistar pais de crianças que morreram durante o terremoto. Um homem não identificado tentou arrancar a câmera de vídeo do repórter e, em seguida, mais doze pessoas investiram contra Anderlini.

No dia seguinte, Anderlini foi impedido entrevistar uma moradora que apresentou uma petição queixando-se às autoridades locais. Na ocasião, um homem abordou o jornalista e arremessou sua câmera no chão.

Ao indagar o departamento de propaganda local, responsável pela fiscalização da imprensa, o repórter foi informado que a polícia poderia deter repórteres por qualquer razão.

Leia mais