Cheio de manha
Cheio de manha
A edição 254 da revista IMPRENSA (março, pág. 56 " ") resgata a história do Barão de Itararé e de sua identidade verdadeira, Fernando Apparicio Brinkerhoff Torelly, também conhecido como Apporelly. Por meio das páginas de seu próprio jornal, A Manha, Barão ironizou a sociedade, e política e a economia do começo do século XX.
Leia abaixo algumas de suas máximas. A seguir, uma reflexão do Barão de Itararé sobre a incoerência nos nomes dos meses e uma breve autobiografia*:
"O erro do governo não é a falta de persistência, mas a persistência na falta"
"O avarento não é dono do dinheiro. O dinheiro é dono do avarento"
"O problema dos menores é um dos maiores"
"Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo"
"A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda"
"O homem que se vende, em geral, recebe muito mais do que realmente vale"
"Um imbecil pobre é um imbecil; um imbecil rico é um rico"
"O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso"
"O fígado faz muito mal à bebida"
"Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato"
"Setembro é um mês que engana muito. Começa que tem um nome impróprio. Setembro principia por sete, mas não é o sétimo mês do ano, deveria chamar-se novembro, da mesma forma que novembro, que é o décimo primeiro, deveria ter o nome de 'onzembro'. Por aí, já estão vendo como anda tudo atrapalhado e, assim, é natural que ninguém se entenda. Mas no fim dá certo. Sete continua a ser o número dos mentirosos e setembro é o mês em que se festeja a independência do Brasil".
"Itararé nasceu em 1895. É, portanto, um herói de dois séculos. Assim, se não fosse um vulto fora do comum, deveria ter atualmente, feitas as contas, 54 anos. Exibindo documentos insuspeitos, Itararé, entretanto, demonstra que perdeu 10 anos repetindo a segunda série da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, onde sempre era reprovado em anatomia descritiva. São, portanto, dez anos perdidos, que não podem ser contados. A seguir, somando todos os pequenos períodos que passou na prisão, onde se enclausurou para meditação e retiros espirituais, como hóspede do Estado e com guarda permanente à sua disposição, verifica que perdeu mais ou menos dois anos na cadeia, os quais somados aos 10 da Faculdade, fazem 12. E, finalmente manuseando um velho diário de notas, todo tatuado de nomes femininos, de corações sangrando, com endereços e números de telefones, tendo as páginas separadas por fitinhas mimosas de diversas cores e, às vezes, entremeadas de folhas murchas, de pétalas secas de rosas e raminhos de violetas descoradas, que ainda parecem roxas de saudade, Itararé chegou à conclusão de que perdeu pelo menos três anos perseguindo mulheres bonitas, sem nenhum resultado. Esses três anos, adicionados aos 12, perfazem 15, que, por serem negativos, devem ser subtraídos dos 54, dando 39, afinal como idade natural".
*Fonte: "Barão de Itararé - Herói de três séculos", de Mouzar Benedito, editora Expressão Popular.






