Chefe da RSF critica manutenção da censura prévia contra o Estadão
Chefe da RSF critica manutenção da censura prévia contra o Estadão
O chefe da divisão para as Américas da organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Benoit Hervieu, classificou a censura prévia ao jornal O Estado de S.Paulo de "bagunça jurídica". Em entrevista ao veículo da família Mesquita, o jornalista questionou a manutenção do veto ao periódico que, desde 31 de julho, está proibido de publicar informações sobre a "Operação Boi Barrica", que apura supostas irregularidades cometidas por Fernando Sarney, filho de José Sarney (PMDB-AP).
"Uma censura prévia é injusta, mas uma incompetência jurídica que decide mantê-la é incrível. É juridicamente nonsense", disse Hervieu. Para argumentar a favor do jornal, o chefe da RSF foi à essência do caso.
"Existe uma investigação judicial e podem existir erros de parte da mídia, é verdade, mas é uma informação de interesse público, uma investigação sobre uma pessoa importante, Fernando Sarney, filho de um ex-presidente do país e agora presidente do Senado, José Sarney. Então porque proibir um jornal de falar disso?", questionou Hervieu, rebatendo argumento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), que decidiu vetar o jornal sob a justificativa de que a investigação corria em segredo de Justiça.
O chefe da RSF ainda reforçou as críticas a recente decisão do TJ, que ao se julgar incompetente para resolver o veto, enviou o caso para a Justiça Federal de 1ª instância do estado do Maranhão. Segundo ele, pelo fato de a região ser domicílio da família Sarney, haverá implicações no parecer judicial.
"Todos os brasileiros sabem perfeitamente que a família Sarney tem bastante presença lá. O prédio do Fórum em São Luís chama-se Desembargador Sarney Costa! É o pai do Sarney! Vai ser difícil ter imparcialidade de Justiça neutra".
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