ChatGPT deve impulsionar automação de escrita e uso de inteligência artificial no jornalismo

Plataforma de inteligência artificial de última geração criada pela empresa americana OpenAI, o ChatGPT vem fazendo barulho no mundo da tecnologia e da comunicação graças à promessa de produzir textos com clareza e profundidade, de forma que só humanos conseguiam fazer até então.

Atualizado em 27/01/2023 às 03:01, por Redação Portal IMPRENSA.


A aplicação é um chat bot, como são conhecidos os modelos de linguagem que usam reconhecimento de voz e informações disponíveis online para a criação de conteúdo e automação de escrita. O próprio parágrafo de abertura dessa matéria foi escrito com ajuda da tecnologia, que permite imitar a comunicação humana e elaborar textos complexos, inclusive jornalísticos, em segundos. Crédito: Reprodução BBC Brasil/GETTY IMAGES Além da possibilidade de revolucionar o mercado de trabalho de diversos setores produtivos, não apenas o noticioso, a novidade pode mudar paradigmas na forma como buscamos informação na internet.
Microsoft

Uma amostra desse imenso potencial fica nítida na ampliação da parceria entre a OpenAI e a gigante Microsoft. Na semana passada, a criadora do sistema operacional Windows anunciou um investimento de aproximadamente 10 bilhões de dólares no aprimoramento do ChatGPT. A ideia é aplicar o chat bot nos produtos da empresa, facilitando o acesso dos usuários.
A possibilidade de popularização da tecnologia vem levantando um debate acerca dos limites éticos que envolvem o uso de chat bots. No ambiente educacional, por exemplo, os alunos poderiam fraudar as escolas, faculdades e universidades ao entregar trabalhos escritos pela inteligência artificial, e não por eles mesmos.
No mercado jornalístico também há espaço para discussões éticas, como mostra o recente caso da plataforma de notícias financeiras CNET. Ela está sendo acusada de ter publicado informações incorretas em textos sobre investimentos produzidos com inteligência artificial e assinados como “CNET Money Staff” (Equipe financeira do CNET).
Os supostos equívocos foram apontados pelo site Futurism, que destacou, dentre outras imprecisões, uma matéria sobre juros compostos que teria publicado um resultado numérico errado. A plataforma também foi criticada por não identificar de forma clara a autoria artificial dos textos.

Mas o impacto da inteligência artificial no jornalismo também pode ser positivo, pelo menos sob o ponto de vista da rentabilidade dos negócios de mídia e comunicação. Isso ficou claro nesta quinta-feira (26jan/23), quando as ações da BuzzFeed tiveram uma forte alta nos EUA, após notícias de que a empresa de mídia planeja usar inteligência artificial da OpenAI em seus conteúdos. O otimismo ocorreu um mês após a BuzzFeed anunciar cortes de cerca de 12% de seus funcionários, em decorrência de um prejuízo de 27 milhões de dólares no terceiro trimestre do ano passado.