Cerca de 80 jornalistas foram assassinados por ano desde 2003, diz RSF

A Repórteres sem Fronteiras (RSF) divulgou nesta sexta-feira (30 dez/22) um levantamento apontando que 1.668 jornalistas foram assassinados no mundo nos últimos 20 anos em retaliação a suas atividades profissionais.

Atualizado em 30/12/2022 às 14:12, por Redação Portal IMPRENSA.


Isso significa que, entre 2003 e 2022, 80 jornalistas foram assassinados em média por ano devido ao exercício da profissão. Os picos dessa série histórica ocorreram em 2012 e 2013, no contexto da guerra na Síria, quando, respectivamente, 144 e 142 jornalistas foram assassinados. Crédito: Reprodução Nas últimas duas décadas, cerca de 80% dos casos estiveram concentrados em 15 países. Iraque e Síria respondem por mais de um terço do total de assassinatos, à frente de Afeganistão, Iêmen e Palestina. Na África, a Somália lidera o ranking com 78 jornalistas mortos no período.
2022

Com 58 casos, o número de jornalistas mortos em 2022 é o mais alto dos últimos quatro anos, tendo registrado aumento de 13,7% em relação a 2021.
Christophe Deloire, secretário-geral da RSF, destacou que, além de homenagear os profissionais de imprensa vitimados fatalmente, é preciso garantir a segurança da categoria "onde quer que seja chamada a trabalhar e a testemunhar a realidade do mundo".
Dentre os países europeus mais perigosos, o destaque é a Rússia. De acordo com a RSF, o problema aumento com a ascensão de Vladimir Putin ao poder, que é suspeito de ter ordenado - ou ao menos avalizado - a emblemática execução da jornalista Ana Politkovskaya, em 2006.
O segundo país europeu mais perigoso para jornalistas é a Ucrânia. Oito jornalistas foram mortos em seu território desde a invasão russa. A França ocupa o quarto lugar no ranking europeu devido ao atentado no Charlie Hebdo, em Paris, em 2015.
O relatório também aponta que a mortalidade de jornalistas em zonas de guerra se estabilizou abaixo de 20 vítimas por ano. O maior número de casos ocorreu em países considerados em paz e está associado a "tentativas de silenciar investigações associadas ao crime organizado e à corrupção".
Em 2022, 47,4% dos assassinatos de jornalistas ocorreu na África. Na América Latina, quatro países (México, Brasil, Colômbia e Honduras) estão entre os 15 mais perigosos do mundo para jornalistas.
Em seguida vem a Ásia. Só nas Filipinas, mais de 100 jornalistas foram assassinados nas última duas décadas, contra 93 no Paquistão e 58 na Índia.