CEO da Ogilvy & Mather classifica 2013 como “histórico” e prevê repetir sucesso em 2014

O ano de 2013 foi histórico para a Ogilvy Brasil. Com 35 Leões, a empresa foi consagrada como a Agência do Ano no 60º Festival Internacionalde Criatividade de Cannes.

Atualizado em 08/01/2014 às 14:01, por Gabriela Ferigato.

Os resultados também refletiram nos negócios – a Ogilvy chegou ao final de 2013 com um crescimento 15% superior ao de 2012. Esses acontecimentos marcaram seu aniversário de 80 anos.
Crédito:Divulgação Fernando Musa é CEO da Ogilvy & Mather Em 1969, a agência brasileira Standard, fundada em 1933 por Cícero Leuenroth, seria vendida para a Young & Rubicam. Prestes a fechar o negócio em Nova York, Cícero recebe uma ligação de David Ogilvy, cofundador da Ogilvy & Mather. Resultado: o brasileiro desistiu do negócio e assinou o contrato com David. Essa e outras histórias foram registradas no livro “Não conformistas, Dissidentes e Rebeldes”, lançado pela Prêmio Editorial, em dezembro. Foram dois anos de levantamento histórico e mais de 120 entrevistas. Entre as curiosidades descritas na obra está a criação do “Dia das Mães” e “Dia dos Namorados” no país.
Atualmente com escritórios em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE), a companhia engloba em seu portfolio uma lista com cinquenta clientes, entre eles Coca-Cola, Dove, Forbes, Unicef e Unilever. Dentro da realidade global do grupo, a agência brasileira é a mais criativa da network. Em questão de tamanho se destaca entre os quatro maiores mercados – junto com Estados Unidos, Inglaterra e China.
Segundo Fernando Musa, CEO da Ogilvy & Mather Brasil, a área de publicidade é ainda a que mais cresce. De acordo com dados do primeiro semestre de 2013 do Monitor Evolution (Ibope Media), a unidade aparece em segundo lugar entre as trinta maiores agências - considerando os valores desembolsados em compra de mídia. Atrás somente da Y&R, o investimento totalizou aproximadamente R$ 1,7 bilhão. “Olhamos para o cliente como um todo, independentemente do tipo de comunicação que ele venha fazendo. O nosso foco precisa continuar sendo investir em ideias e talentos”, afirma Musa.
Caderno de Mídia – Qual o balanço que vocês fazem de 2013? Fernando Musa – Foi um ano histórico para nós. Talvez o melhor de toda a nossa trajetória, isso devido ao nosso desempenho ativo e o reconhecimento que conquistamos no mercado. Por mais que pudéssemos sonhar com isso, acho que ainda assim não daria para imaginar o ano que passamos.
Qual a expectativa para 2014, em termos de crescimento e novas aquisições? Por enquanto não temos nada específico, apenas algumas conversas. Para 2014, esperamos um ano tão bom quanto 2013, que possamos produzir trabalhos para que os nossos clientes consigam o tipo de resultado e visibilidade dos projetos que colocamos ano passado.
Vocês apostarão em algum segmento específico? Não dá para citar um em especial. Hoje somos tudo isso e completamos 80 anos de história pelos clientes que já conquistamos. Temos o claro objetivo de fazer um bom trabalho para dentro – para essa carteira de clientes – e a ideia é continuar fazendo projetos de repercussão global.
Entre todas as unidades de negócios da Ogilvy, como a One, Mather e PR, qual representa o maior faturamento da companhia? Hoje as que mais crescem ainda são a publicidade e a área digital. Mas estamos, cada vez mais, utilizando todas as disciplinas possíveis. Olhamos não para essa ou aquela unidade, mas sim o cliente como um todo, independentemente do tipo de comunicação que ele venha fazendo. O nosso foco precisa continuar sendo investir em ideias e talentos. Não adianta termos um olhar compartimentalizado, porque o consumidor não pensa assim.
Apesar de ter sido um ótimo ano para a Ogilvy, quais foram os principais desafios e dificuldades que encontraram? O maior desafio é manter equipe, pelo assédio que muitos profissionais recebem. A grande discussão hoje é manter qualidade e profissionais motivados. Nosso mercado exige experiência e talento, o nosso negócio é baseado em gente. Outro desafio é encontrar gente de qualidade. Por isso usamos muito a network para importar mão de obra. Temos profissionais de outros países e estados. Temos escritórios no Rio de Janeiro e Recife, então precisamos estar atentos para buscar talentos nos lugares menos óbvios. Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, e também em função da Europa ter dado uma “segurada”, muita gente passou a considerar mais o Brasil. Tivemos a chance de atrair gente de fora. A diversidade faz o nosso sucesso.
Quais são os planos em relação a novos escritórios no Brasil? Existe alguma região do país que seja mais interessante para o grupo? Há dois anos lançamos a David, outra agência do grupo, com escritórios em Buenos Aires (Argentina) e São Paulo, e estamos discutindo a expansão para a Europa e para os Estados Unidos. Atualmente temos escritórios em São Paulo (sede), Rio de Janeiro e Recife. No Brasil, temos parcerias regionais com algumas agências. Sobre nossos escritórios, destaco o valor de estar em Recife, que hoje é um polo digital muito importante.
Quais parcerias vocês destacam como estratégicas? Temos uma com a Miami Ad School, na qual trazemos estudantes a cada três meses para o Brasil. Além disso, temos um programa de estágio muito tradicional que todo ano é implantado em faculdades. Nos últimos três, quatro anos participamos de um evento chamado “Portfolio Night” [iniciativa que acontece em várias cidades ao redor do mundo e reúne jovens profissionais e alguns dos mais renomados diretores de criação das principais agências de cada país]. Acredito ser essencial toda iniciativa nessa questão de abrir oportunidades para novos talentos. Eu costumo brincar, quando dou palestras e entrevistas, que estamos sempre contratando.
Como o Brasil se posiciona dentro da realidade global da Ogilvy? O Brasil hoje, pelo segundo ano consecutivo, é a agência mais criativa da network. São mais de 450 escritórios. Em questão de tamanho estamos entre os quatro maiores mercados – junto com Estados Unidos, Inglaterra e China.
Como está o investimento no digital? Acho que temos um grande crescimento do mercado, porém uma demanda e formação mais lenta. Nós temos foco na questão da inovação e de descobrir novas tecnologias, por isso destaco a importância do escritório em Recife, que basicamente cuida de produção e desenvolvimento de produto. O grande ponto do digital é acompanhar o que está acontecendo e ainda vai acontecer.
Hoje falamos muito de social media, o Brasil talvez seja o país que mais usa redes sociais, mas elas estão mudando. 2014 é ano de Copa do Mundo e esse vai ser o primeiro evento esportivo onde o digital vai estar junto com as pessoas, interagindo com a televisão, e ela vão realmente se sentir parte desse acontecimento.
Nós temos a sabedoria de acompanhar e observar tudo isso. Mas eu acredito que, no fundo, tudo se resume a ter boas ideias, e a tecnologia não pode ser maior que isso, e sim a serviço delas. Não podemos esquecer que vendemos boas ideias. Nosso mercado exige experiência e talento, o nosso negócio é baseado em gente.
O Brasil ganhou os dois maiores prêmios na categoria de publicidade no Festival de Cannes. Ambos são de vocês, que foi consagrada como a melhor agência do ano e levou também o prêmio máximo do festival, o Leão de Titânio. O que de fato os prêmios significam pra empresa? Podemos esperar mais um recorde pra 2014?
Significa o reconhecimento do mercado. Quando os seus concorrentes e a sua própria indústria reconhecem isso é prova de que o que estamos fazendo é benfeito. Pretendemos continuar nesse ritmo em 2014. Temos algumas coisas em produção que acho que podemos não repetir, mas seguir da mesma forma. Depois de fazer uma vez você acredita que é possível ainda mais. Vamos fazer mais trabalhos que possam causar impacto em nossa indústria.
Quais serão as ações para a Copa do Mundo? Temos alguns clientes envolvidos com a Copa, entre eles a Sony, Coca- Cola, Magazine Luiza. O tema “Copa do Mundo” é importante porque afeta diretamente o consumidor. Todas as marcas precisam estar atentas ao que está acontecendo, porque o seu consumidor vai participar de um acontecimento global que vai acontecer na esquina da sua casa. Além disso, será ano de eleição no Brasil. Este ano será atípico, a atenção das pessoas estará na discussão desses temas, a própria Copa não deixa de ser um evento político. Quando acontece em outro país discutimos muito mais o futebol, quando ocorre no seu país vai muito além. O Brasil vai amadurecer muito. É um grande evento para as marcas que vão participar, e para as que estão fora é uma oportunidade. É muito bom fazer parte disso pessoalmente e profissionalmente.
Qual é o segredo para seguir como uma das agências mais criativas do mundo? O primeiro é estimular novas ideias. É errar e tentar novamente o que ninguém nunca fez. É trabalhar muito. Precisamos colocar o objetivo lá na frente e acreditar e comprometer todo mundo. O segundo é construir uma cultura muito forte, para estimular as pessoas a terem ideias diferentes. Sei que pessoas entram e saem da empresa, mas nossa cultura precisa ser maior.
Nos últimos anos começamos a construir isso – o que nos garantiu uma sequência de trabalhos criativos. Entramos num círculo “virtuoso”: o cliente passa a acreditar mais em nós e começamos a inspirar os demais. Acho que esse círculo passa a melhorar a entrega de uma maneira geral.