Censura prévia imposta por assessores de imprensa é alvo de insatisfação na Alemanha
Censura prévia imposta por assessores de imprensa é alvo de insatisfação na Alemanha
Jornalistas da Alemanha começaram a tornar pública uma antiga insatisfação profissional: procedimento imposto por grande parte das assessorias de imprensa no país, leva os repórteres a submeterem suas entrevistas a leitura prévia e aprovação dos entrevistados e seus empresários. A prática, apesar de comum, tem incomodado os profissionais já que, na maioria das vezes, o conteúdo volta alterado ou censurado.
A informação foi divulgada pela correspondente da Folha de S.Paulo em Berlim, Denise Menchen que relata a insatisfação de um amigo jornalista em ter de enviar suas entrevistas para serem validadas com os assessores. Denise aponta que "em vez de apenas checar se nada foi distorcido, alguns assessores aproveitam para censurar frases das quais os entrevistados se arrependeram", diz em seu .
A discussão sobre o assunto começou depois que a repórter do jornal , Ross Maria Bauer, publicou um no blog do veículo contando que sua entrevista com a jogadora da seleção alemã de futebol feminino, Lira Bajramaj, foi totalmente descaracterizada pelo empresário da atleta. "A revisão em entrevistas por assessores é comum. Mas é demais inventar e apagar parágrafos inteiros", protesta Ross. Na entrevista em questão, a solução da repórter foi excluir da edição final os acréscimos feitos pelo empresário, além de denunciar o que ocorreu por meio do blog. Entre os diversos trechos retirados, está uma questão polêmica relacionada ao homossexualismo no futebol.
Choque cultural
Denise admite que quando ficou sabendo da prática, sua reação foi de espanto. "De início não entendi. Mas, após algumas conversas, descobri que é comum por aqui submeter entrevistas ao crivo do entrevistado, de seu assessor de imprensa ou do empresário", diz em seu post. A repórter conta que, segundo as assessorias, o procedimento existe para que não ocorram distorções na edição, já que é comum que repórteres complementem ou ajeitem frases que, na linguagem oral, sairiam pela metade ou confusas.
O correspondente no Brasil da revista alemã , Alexander Busch, falou com IMPRENSA e reconhece que a Alemanha é o único país em que ele vivenciou esse tipo de relação entre fonte e jornalista. "Tenho amigos que trabalham em assessorias de imprensa por lá e isso realmente acontece. Eles dizem que muitas vezes tiram coisas que não são positivas para os entrevistados", aponta.
Busch lembra que não existe um regulamento ou algo que determine tal procedimento, mas a prática é comum entre jornalistas e assessores. "Neste caso, o jeito é negociar e ter jogo de cintura. Mas eu considero isso um problema, porque às vezes o repórter faz um belo trabalho e consegue tirar coisas do entrevistado [durante a entrevista], que acaba sendo barrado pelo assessor", avalia.
Perguntado sobre a origem do costume, Busch conta que ninguém sabe responder ao certo. Ele diz também que a revista semanal possui um regulamento interno que diz que os repórteres devem, sempre, submeter suas entrevistas aos assessores das fontes. "Mesmo que o entrevistado seja de outro país, vai acontecer isso. Os veículos têm medo de ter algum tipo de problema. E mesmo que um empresário alemão venha para o Brasil e eu o entreviste aqui, acontecerá a mesma coisa", conclui.
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