Casos de violação à liberdade de imprensa batem recorde no Brasil, aponta Fenaj
Federação Nacional dos Jornalistas divulgou novo relatório hoje
Atualizado em 27/01/2022 às 12:01, por
Denise Bonfim.
O relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgado hoje (27) aponta que o número de agressões a jornalistas e veículos de comunicação em 2021 bateu um novo recorde: durante o ano, 430 casos foram realizados.
Deles, 140 foram relacionados a censuras - 138 dentro da EBC. Na segunda colocação, está os discursos que tentam descredibilizar os jornalistas (131 casos), e em terceiro, as agressões verbais e virtuais aos profissionais (58 casos). Crédito:Freepik
Fenaj divulgou hoje relatório sobre ataques à imprensa Essa foi a primeira vez na história dos levantamentos da violência contra jornalistas e da liberdade de imprensa no Brasil que a censura ocupa esse primeiro lugar.
Sozinho, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi responsável por 129 episódios de descredibilização (98,4% do total). Em lives e entrevistas, o presidente afirmou que a imprensa mentia ou que produzia fake news. Ele esteve envolvido em outros 18 casos de agressão verbal, totalizando 147 ataques diretos aos profissionais.
"O presidente Jair Bolsonaro utilizou expressões que ele já vinha utilizando nos anos anteriores, como 'imprensa é fábrica de fake news, imprensa de me, além de dizer que jornalista é cretino, faz pergunta idiota. Em 2021, ele se dirigiu a uma jornalista chamando-a de quadrúpede. Temos muitos casos que mostram a agressividade com a imprensa com o objetivo de desacreditar o jornalismo e o trabalho dos jornalistas", afirma Maria José Braga, presidente da Fenaj.
Segundo o relatório, a região centro-oeste é a que concentra mais casos de ataque à liberdade de imprensa - 56,9%. Logo atrás está o sudeste, com 23,23% dos casos. Entre os Estados, o Distrito Federal é o primeiro (53,54%), seguido por São Paulo (15,15%) e Rio de Janeiro (4,04%).
Se analisados por tipo de mídia, os trabalhadores da TV e das mídias digitais foram mais afetados - 94 e 44 casos, respectivamente. Os jornais ficaram com a terceira colocação, com 33, e o rádio, nove. Até mesmo os assessores de imprensa apareceram na lista, também com nove casos. Outros 30 não tiveram mídia identificada.
Durante a apresentação dos dados, Maria José reiterou a atuação da Fenaj diante dos casos de violência e a importância dos profissionais não se calarem ao serem intimidados. O apoio das entidades sindicais foi apontado como fundamental.
"Temos sempre orientado a categoria a procurar o sindicato mesmo quando tem apoio jurídico do veículo de orientação onde trabalha. A Fenaj aprovou, junto aos sindicatos, um protocolo de atuação em caso de violência contra profissionais. Ele pressupõe a denúncia pública, que não é pouca coisa, é muito importante que a sociedade saiba que os profissionais estão sendo vitimados, é importante que ela se transforme em ação efetiva, de apoio jurídico, psicológico ao profissional", disse Maria José.
"Nós acabamos de apoiar um estudo da Abraji sobre violência contra mulheres jornalistas e comunicadoras. É mais amplo, que inclui comunicadoras populares, radialistas, que atuam na mídia, como vítimas da violência de gênero. Estamos trabalhando na medida do possível trabalhando juntos. Por meio dos sindicatos, já buscamos o apoio jurídico. É importante que o profissional busque a entidade sindical", completou.
Os agressores
Além dos já citados presidente da República (34,19%) e dos dirigentes da EBC (33,02), outros políticos e assessores (9,30%), manifestantes bolsonaristas (4,65%) e internautas/hackers (3,49%) são os maiores autores dos ataques.
"A má influência de Bolsonaro na questão da violência contra jornalistas pode ser percebida também no comportamento dos cidadãos comuns, que continuaram a figurar entre os agressores, divididos em três categorias: manifestantes bolsonaristas (pessoas presentes em manifestações de apoio ao presidente) e internautas/hackers (pessoas que cometeram agressões por meio de redes sociais, quase sempre associadas a reportagens/notícias com críticas ao governo)", diz o documento.
Os números refletem o momento político do país. Até 2012, políticos eram os principais autores de agressões. Em 2013, com o início das manifestações em junho, policiais e guardas municipais assumiram o primeiro lugar, onde ficaram até 2017.
Em 2018, cidadãos comuns, nas manifestações públicas, partiram para a violência contra os profissionais e se tornaram os principais autores. Desde 2019, os políticos voltaram ao topo.
Deles, 140 foram relacionados a censuras - 138 dentro da EBC. Na segunda colocação, está os discursos que tentam descredibilizar os jornalistas (131 casos), e em terceiro, as agressões verbais e virtuais aos profissionais (58 casos). Crédito:Freepik
Fenaj divulgou hoje relatório sobre ataques à imprensa Essa foi a primeira vez na história dos levantamentos da violência contra jornalistas e da liberdade de imprensa no Brasil que a censura ocupa esse primeiro lugar. Sozinho, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi responsável por 129 episódios de descredibilização (98,4% do total). Em lives e entrevistas, o presidente afirmou que a imprensa mentia ou que produzia fake news. Ele esteve envolvido em outros 18 casos de agressão verbal, totalizando 147 ataques diretos aos profissionais.
"O presidente Jair Bolsonaro utilizou expressões que ele já vinha utilizando nos anos anteriores, como 'imprensa é fábrica de fake news, imprensa de me, além de dizer que jornalista é cretino, faz pergunta idiota. Em 2021, ele se dirigiu a uma jornalista chamando-a de quadrúpede. Temos muitos casos que mostram a agressividade com a imprensa com o objetivo de desacreditar o jornalismo e o trabalho dos jornalistas", afirma Maria José Braga, presidente da Fenaj.
Segundo o relatório, a região centro-oeste é a que concentra mais casos de ataque à liberdade de imprensa - 56,9%. Logo atrás está o sudeste, com 23,23% dos casos. Entre os Estados, o Distrito Federal é o primeiro (53,54%), seguido por São Paulo (15,15%) e Rio de Janeiro (4,04%).
Se analisados por tipo de mídia, os trabalhadores da TV e das mídias digitais foram mais afetados - 94 e 44 casos, respectivamente. Os jornais ficaram com a terceira colocação, com 33, e o rádio, nove. Até mesmo os assessores de imprensa apareceram na lista, também com nove casos. Outros 30 não tiveram mídia identificada.
Durante a apresentação dos dados, Maria José reiterou a atuação da Fenaj diante dos casos de violência e a importância dos profissionais não se calarem ao serem intimidados. O apoio das entidades sindicais foi apontado como fundamental.
"Temos sempre orientado a categoria a procurar o sindicato mesmo quando tem apoio jurídico do veículo de orientação onde trabalha. A Fenaj aprovou, junto aos sindicatos, um protocolo de atuação em caso de violência contra profissionais. Ele pressupõe a denúncia pública, que não é pouca coisa, é muito importante que a sociedade saiba que os profissionais estão sendo vitimados, é importante que ela se transforme em ação efetiva, de apoio jurídico, psicológico ao profissional", disse Maria José.
"Nós acabamos de apoiar um estudo da Abraji sobre violência contra mulheres jornalistas e comunicadoras. É mais amplo, que inclui comunicadoras populares, radialistas, que atuam na mídia, como vítimas da violência de gênero. Estamos trabalhando na medida do possível trabalhando juntos. Por meio dos sindicatos, já buscamos o apoio jurídico. É importante que o profissional busque a entidade sindical", completou.
Os agressores
Além dos já citados presidente da República (34,19%) e dos dirigentes da EBC (33,02), outros políticos e assessores (9,30%), manifestantes bolsonaristas (4,65%) e internautas/hackers (3,49%) são os maiores autores dos ataques.
"A má influência de Bolsonaro na questão da violência contra jornalistas pode ser percebida também no comportamento dos cidadãos comuns, que continuaram a figurar entre os agressores, divididos em três categorias: manifestantes bolsonaristas (pessoas presentes em manifestações de apoio ao presidente) e internautas/hackers (pessoas que cometeram agressões por meio de redes sociais, quase sempre associadas a reportagens/notícias com críticas ao governo)", diz o documento.
Os números refletem o momento político do país. Até 2012, políticos eram os principais autores de agressões. Em 2013, com o início das manifestações em junho, policiais e guardas municipais assumiram o primeiro lugar, onde ficaram até 2017.
Em 2018, cidadãos comuns, nas manifestações públicas, partiram para a violência contra os profissionais e se tornaram os principais autores. Desde 2019, os políticos voltaram ao topo.





