Cartunista brasileiro afirma ser perseguido por autoridades de segurança dos EUA

Cartunista brasileiro afirma ser perseguido por autoridades de segurança dos EUA

Atualizado em 11/04/2008 às 14:04, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

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A divulgação das charges sobre o conflito entre palestinos e israelenses, de autoria do cartunista brasileiro Carlos Latuff, tem gerado polêmica. Isso porque o desenhista afirma que está sendo espionado pelo Departamento de Segurança dos Estados Unidos e que já foi ameaçado por um grupo ligado ao Likud, partido político de direita em Israel.

Ao Portal IMPRENSA, Latuff afirma que instalou um serviço gratuito de rastreamento de visitantes em seu blog, por meio do site StatCounter, que identifica por IP todos os internautas que passaram pela página rastreada. "Entre os visitantes ilustres do meu blog, estão as Nações Unidas e a Academia Militar de West Point - de onde sai o 'cream' do
oficialato estadunidense".

O cartunista também declara que o rastreamento do IP das autoridades norte-americanas foi possível, pois "não constitui nenhum procedimento ultra-secreto o fato de alguém proveniente destes órgãos visitar um blog como o meu. Portanto, para ESTE fim [grifado pelo autor],não haveria necessidade de ocultar o IP".

Além disso, Latuff afirma que a estatística do StatCounter aponta que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos encontrou o trabalho do cartunista por meio do serviço de busca do Google."Daí fica a pergunta: porque será que alguém no Departamento de Defesa dos Estados Unidos estaria interessado em pesquisar sobre meu trabalho na Internet?", declara o cartunista.

"A revista iraquiana sunita Al Raeed já usou charges expostas no meu blog por mais de uma vez. Os desenhos têm sido reproduzidos mundo afora, sempre que posso eu publico foto de jornal ou revista que se utilizou de uma ou mais de minhas imagens. Esse blog tem cumprido esse papel, de ser um banco de imagens subversivas e de livre reprodução", diz Latuff.

No entanto, o cartunista acredita que as pessoas têm acesso a suas imagens através da internet, "imprimindo e passando de mão em mão. Estamos falando de tráfico de informações".

Em 1999, Latuff visitou os territórios palestinos ocupados a convite de uma ONG e, sensibilizado com a situação nas áreas de conflito, começou um trabalho crítico sobre o assunto.

Apesar das ameaças, o cartunista afirma que a única providência que irá tomar, a melhor delas, segundo ele, é a promessa de que continuará a fazer mais e mais charges.

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