Carta entregue a Lula pede que Brasil conceda asilo político a Julian Assange

Pedindo que o Brasil conceda asilo político a Julian Assange, fundador do WikiLeaks, uma carta assinada por 2897 brasileiros, incluindo jornalistas, políticos, intelectuais e sindicalistas, será entregue ao presidente Lula.

Atualizado em 28/06/2023 às 11:06, por Redação Portal IMPRENSA.


O documento foi elaborado poucos dias após um juiz da Suprema Corte da Inglaterra negar permissão para que Assange apele contra a ordem de extradição para os Estados Unidos, onde ele enfrenta acusações criminais sob a Lei de Espionagem.

Em abril último, a detenção do fundador do WikiLeaks em uma prisão britânica de segurança máxima, para onde ele foi enviado após 7 anos de confinamento na embaixada do Equador no Reino Unido, completou 4 anos. Entidades de defesa da liberdade de imprensa têm lutado para que ele não seja extraditado para os Estados Unidos, onde pode ser condenado a até 175 anos de prisão. Crédito: Reprodução FSP/Ruptly Quatro anos atrás, Assange foi levado da Embaixada do Equador em Londres para prisão de segurança máxima

Dentre os signatários da carta estão a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ), a jornalista Hildegard Angel, o professor Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), o neurocientista Sidarta Ribeiro, o fotógrafo Sebastião Salgado e os pesquisadores da Fiocruz Renato Cordeiro e Alvaro Nascimento.

"Diante dos fatos recentes envolvendo a extradição para os EUA —onde Assange poderá ser condenado a até 175 anos de prisão por revelar fatos verdadeiros a respeito daquele país— um conjunto de profissionais, lideranças da sociedade civil e entidades iniciaram um movimento via redes sociais visando construir uma saída humanitária para o caso, hoje acompanhado de perto por toda a comunidade internacional", diz a carta.
O documento também propõe que Lula promova um esforço internacional para obter a aceitação do asilo político por parte do governo inglês.
"Acreditamos que, independentemente do resultado, este esforço vigoroso em defesa de Assange contribuirá para marcar ainda mais a posição humanitária e progressista do governo brasileiro no mundo, como tem sido a nossa marca desde 1º de janeiro de 2023."
Críticas de Lula

Em maio, em viagem oficial a Londres para acompanhar a cerimônia de coroação do rei Charles 3º, Lula criticou a prisão de Assange. "É uma vergonha que um jornalista que denunciou as falcatruas de um Estado contra outro esteja preso, condenado a morrer em uma cadeia (...) O cara não denunciou nada vulgar. O cara denunciou que um Estado vigiava outros. E isso virou crime contra o jornalista?"
Além de ter publicado documentos sobre crimes praticados pelos EUA em lugares como Iraque, Afeganistão e Guantánamo, o WikiLeaks divulgou informações confidenciais que revelaram que o governo americano espionou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), além de assessores e ministros de seu governo.
O WikiLeaks também divulgou um vídeo que mostra a execução, por militares americanos a bordo de um helicóptero dos EUA no Iraque, em 2007, de pelo menos 18 civis, incluindo dois jornalistas da agência Reuters.

Os documentos vazados por Assange foram publicados em jornais de vários países, incluindo o Brasil. Para especialistas em liberdade de imprensa, a condenação de Assange representa um ataque ao exercício jornalístico.
No mês passado uma reportagem do El País trouxe novas evidências de que, durante sua permanência na embaixada do Equador, Assange foi espionado a pedido da CIA pelo dono de uma empresa espanhola de segurança digital.
O caso veio à tona após uma investigação jornalística do próprio EL PAÍS revelar vídeos e áudios de Assange e seus advogados na embaixada do Equador no Reino Unido. O material teria sido feito com câmeras e microfones ocultos. Dentre os arquivos há até uma pasta intitulada “Banheiro feminino”, lugar onde Assange se reunia com seus advogados justamente por medo de ser espionado.