Carnaval amenizará impactos da crise no Brasil, diz comentarista John Fitzpatrick
Carnaval amenizará impactos da crise no Brasil, diz comentarista John Fitzpatrick
Na noite da última quinta-feira (11), a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham Brasil) promoveu encontro entre alguns dos correspondentes dos mais prestigiados jornais e agências de notícias do mundo. Intitulado "A Crise por Correspondentes de Jornais Estrangeiros", o encontro visava gerar discussão sobre a crise econômica mundial e seus efeitos, especialmente, no Brasil. O debate aconteceu no Finnegan´s Pub, no bairro de Pinheiros, em São Paulo (SP), em clima de happy hour, que marcou todo o evento.
Ao redor de uma mesa, no canto do Pub, estavam os correspondentes Tod Benson, da Reuters News, Ken Rapoza, da Agência Dow Jones e do The Wall Street Journal , Jonathan Weatley, do Financial Times e o repórter freelancer do grupo Finantial Times, John Rumsey, além do comentarista político John Fitzpatrick e de Rogério Simões, diretor da BBC Brasil em Londres, e único brasileiro do grupo de convidados.
O evento também contou com a presença do presidente da filial de São Paulo da Câmara Britânica no Brasil, Graham Nye, do diretor de desenvolvimento, Nigel Morris e do cônsul geral britânico em São Paulo, Martin Raven.
O jornalista Rogério Simões abriu a discussão dizendo que o presidente Luis Inácio Lula da Silva só é popular graças a economia que, apesar da crise, vai bem. "No Brasil a percepção é diferente porque nós [brasileiros] sempre estivemos em crise. O país não vai passar por nada parecido com que ocorreu ao longo de sua história".
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| Correspondentes estrangeiros debatem a crise com olhos no Brasil |
O comentarista político, John Fitzpatrick, disse que quando a crise atingir o país com força, no final de fevereiro, estaremos no carnaval e isso amenizará psicologicamente os impactos. O correspondente da Reuters, Tod Benson, reforçou a falta de consciência da população sobre a crise e afirmou que mesmo diante de um desempenho ruim da economia, o governo pode conseguir bons resultados nas eleições presidências de 2010.
Todos os presentes concordaram em uníssono que o bom desempenho do Brasil é de se estranhar, posto que, mesmo países com economias e moedas mais fortes estão passando por sérias dificuldades. Porém, na visão de Rogério Simões , o país é economicamente dinâmico por conta de seu grande mercado interno. "O Brasil tem muita sorte em ter um mercado doméstico tão grande que ajude a manter a economia".
No entanto, John Rumsey alerta quanto ao bom-humor em demasia da economia brasileira e que o modo como a mesma se comporta deve ser encarado com muita cautela. "A economia do Brasil deveria tirar esse 'sorriso da cara', por que a coisa está feia. Aliás, o mundo todo está muito mais preocupado com o Brasil que ele mesmo", declarou.
O comentarista político John Fitzpatrick declarou que além de o país ter muita sorte, seu presidente é ainda mais sortudo. "Eu nunca vi um presidente com mais sorte que o Lula. Com a economia mundial nesse estado, ele consegue índice de aprovação de 80%. Incrível". John também apresentou o livro "O Brasil dos correspondentes" lançado pela Editora Mérito no segundo semestre de 2008. O livro, organizado por Jan Rocha, Thomas Milz eVerónica Goyzueta traz depoimentos dos mais consagrados correspondentes que cobrem o país. Segundo Fitzpatrick, que contribuiu com o livro, "O Brasil dos correspondentes" mostra que a vida de correspondente internacional, ao contrário do que se pensa, não passa nem perto do glamour.
Ao final do encontro, os jornalistas responderam à reportagem do Portal IMPRENSA que a eleição de um presidente democrata nada mudará para a economia brasileira, pois, os EUA têm assuntos mais importantes para se preocupar. "A gente não deve se esquecer que o Barack Obama é, antes de tudo, americano". Fitzpatrick fez uma previsão ainda mais alarmante em relação ao presidente democrata. "O mundo pode se decepcionar com o Barack e a decepção será exatamente do tamanho da expectativa que ele gerou".
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