Carlos Lins da Silva comenta o livro "Os jornais podem desaparecer?", de Philip Meyer

Carlos Lins da Silva comenta o livro "Os jornais podem desaparecer?", de Philip Meyer

Atualizado em 07/08/2007 às 10:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Doutor em jornalismo e mestre em comunicação, Carlos Eduardo Lins da Silva aproveitou a chegada do livro "Os Jornais Podem Desaparecer", de Philip Meyer, ao Brasil, para comentar a análise do autor sobre a mídia americana e especular o possível fim dos jornais impressos.

Para Lins, a análise apresentada por Philips Meyer, em seu livro, é a mais relevante entre as já publicadas sobre o assunto, e isso porque, segundo ele, a atuação de Meyer em quase todas as funções da profissão faz com que tudo que ele escreva seja estatisticamente comprovado, e na prática. "Uma de suas teses [de Meyer] mais importantes é a de que o jornal não vende informação, mas influência. Se o seu poder de influenciar cresce, aumenta também o seu valor de mercado", conta.

Segundo o que explica Lins sobre os estudos apresentados no livro, o modelo de negócios que garantiria a sobrevivência dos jornais diários seria fazer com que a qualidade da informação que eles publicam fosse reconhecida pela opinião pública. "Meyer demonstra que há uma correlação positiva historicamente comprovada entre qualidade e sucesso comercial, embora ressalte não ser possível estabelecer com a mesma certeza o que causa o que (se a qualidade resulta no sucesso ou provém dele)".

Meyer atribui a atual situação dos jornais a uma falha dos administradores da maioria dos jornais americanos, que não souberam responder à crise provocada pelo avanço da internet no mercado de classificados e publicidade geral: em vez de investir na qualidade, comprometeram-na com cortes de custos e de pessoal nas redações. "Com isso, cresceram os erros, caiu a confiança dos líderes de opinião (a começar pelas fontes dos próprios jornalistas, a quem Meyer confere um papel muito especial na avaliação social dos meios de comunicação), a credibilidade ficou em xeque", explica.

O livro "Os Jornais Podem Desaparecer?" também traz uma crítica detalhada dos erros de 5.100 textos jornalísticos e de como eles foram encarados pelos leitores. Ainda segundo o que conta Lins sobre a publicação, "os erros que mais abalam a imagem do jornal não são aqueles que mais aparecem nas correções públicas que os jornais admitem (ou seja, os erros objetivos). São os erros subjetivos (decorrentes de má avaliação, contextualização equivocada, interpretação incorreta dos fatos, sensacionalismo, exagero, enviesamento) que minam a credibilidade".

"É muito pouco provável que os jornais diários impressos venham de fato a desaparecer, ao menos no futuro previsível. A história dos meios de comunicação de massa mostra que um veículo nunca some do mercado. O rádio sobreviveu à televisão, o teatro ao cinema. A questão é como os jornais querem subsistir, o quão socialmente relevantes eles querem ser para as próximas gerações. É nesse sentido que Meyer alerta ao final: 'Para ter sucesso, é preciso encontrar um modo de conquistar, empacotar e vender a confiança que as antigas mídias estão abandonando voluntariamente por meio de sua estratégia de colheita'. Se quiserem influir de fato na sociedade, os jornais terão de apostar na qualidade", completa Lins.