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Aos 23 anos, o motoboy paulistano Eliés Barbosa busca ampliar o padrão de vida. A bem da verdade, já tem expandido os horizontes nos últimos anos. Ele cursa faculdade de direito, um investimento de longo prazo, para deixar a profissão atual e buscar uma carreira - ele é o primeiro da família a tentar o curso superior. Na época em que se matriculou na faculdade, assinou o jornal O Estado de S. Paulo. Desistiu por problemas de entrega no bairro onde mora. "Se eu tivesse garantia de que receberia o jornal, eu assinaria. Agora o que eu faço é ler o 'Cotidiano', da Folha, mas não compro: leio pelos lugares que eu passo", conta Barbosa. Ele ainda pretende assinar a revista Veja, assim que o orçamento permitir. Tudo depende do andar da carruagem profissional e da economia nacional. Além do curso universitário e de adquirir para si e para a casa eletrônicos, eletrodomésticos e outros objetos pouco acessíveis anteriormente, há outra coisa, mais intangível, que o motoboy quer consumir: informação. Pessoas como ele têm redefinido o mercado jornalístico brasileiro.
Eliés Barbosa é o retrato de uma parcela da população recém-promovida à classe média, que vem chamando a atenção de economistas e comerciantes há cerca de cinco anos. Hoje, esta parcela representa a maior fatia do bolo de consumidores: em 1992, 32% dos brasileiros estavam nessa faixa; hoje, a classe média abriga mais de 50% da população. "Essa nova classe média é importante - não só no Brasil, mas na China, na Índia - porque é o grupo emergente dos países emergentes que numa época de restrição de demanda global e mercados consumidores em baixa injeta demanda no mercado mundial", explica Marcelo Néri, economistachefe do Centro de Políticas Sociais da FGV-RJ.
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