Canindé Alves - Mestre do Rádio-jornalismo, por Mário Gerson

Canindé Alves - Mestre do Rádio-jornalismo, por Mário Gerson

Atualizado em 20/04/2005 às 19:04, por Mário Gerson e  estudante de jornalismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

Por Nova pagina 1


O rádio, surgido em meados do século XIX, é hoje símbolo de resistência às tecnologias e, ao mesmo tempo, agrupador dessas. Em 1893, "um padre e cientista brasileiro, Roberto Landell de Moura, realizou a primeira transmissão falada, sem fios, por ondas eletromagnéticas. Sua experiência mais importante, praticamente desconhecida do mundo, foi em São Paulo, quando transmitiu por telegrafia sem fio, do alto da avenida Paulista para o alto de Sant`Ana. Todos os equipamentos usados foram inventados pelo próprio Landell de Moura, com patentes registradas no Brasil, em 9 de março de 1901". Hoje, Mossoró pode se orgulhar de um seu filho adotivo, nascido em Pau dos Ferros, quando este completa 50 anos dedicados ao rádio-jornalismo. Trata-se de Canindé Alves, um dos locutores de rádio mais atuantes do Rio Grande do Norte. Nascido a 16 de agosto de 1935, Canindé já foi radialista da Rádio Mauá, no Rio de Janeiro, diretor de rádio, e secretário de imprensa nas gestões Dix-huit Rosado e João Nilton, em Mossoró. Sua história de confunde com a história do rádio norte-rio-grandense. Há 50 anos no rádio-jornalismo, Canindé é um incansável comunicador, um batalhador das ondas do rádio. Apresenta, há 10 anos, o programa Chapéu de Palha, chapéu de couro, na Libertadora de Mossoró. Começou em 1955, quando de um teste no programa Semana em foco, com Souza Luz. "Eles me chamaram para fazer um teste. Lá estavam João Nilton, Jaime Hipólito Dantas e Souza Luz. Fiquei nervoso. Após o teste, me disseram que voltasse à tarde. Quando voltei, já estava escalado para apresentar o Semana em foco", relata Canindé.

De disque jóquei a diretor de rádio, ele guarda lembranças de amigos. "Fui operador de cinema do Pax durante 9 anos. Tinha mania de ficar falando como locutor. Um dia chegou o sub-gerente e disse: ´Estou sabendo que você está dando todo dia um show de locução?` Dias depois eu era convidado a apresentar os filmes. Tive contato com o inglês, e observava muito como eram pronunciadas as palavras. Eu tinha 20 anos", diz. Entrevistando presidentes da República e autoridades governamentais, Canindé nunca perdeu a humildade de reconhecer que a carreira jornalística no rádio é sempre uma busca de aprimoramento.

Depois de alguns anos em Mossoró, ele decide ir para o Rio de Janeiro, e Gilberto Lima, à época um dos mais conceituados jornalistas à época, o convidou para apresentar, ao vivo, um programa na Rádio Mauá. Ainda no Rio de Janeiro, Canindé fez testes na Rádio Jornal do Comércio, Rádio Globo e Rádio Tupy. Era 1973. Durante dois anos apresentou o programa Chapéu de palha, chapéu de couro. "No dia do meu teste, Gilberto Lima me perguntou: ´Se você fosse fazer esse programa, como faria?` Foi então que mandei brasa! E eles gostaram. Dias depois estava fazendo o meu programa na Mauá", conta.

"Entrevistei os presidentes João Figueiredo e Médici. Foi emocionante. Entrevistei também ministros. Governadores, perdi até a conta!", diz, com um ar de alegria. Sobre sua maior emoção no rádio, relata que foi o teste na Rádio Globo, com Surrel Sleman. "Entrei para fazer o teste e li três noticiários no ´Noticiário Globo no ar`. Depois, Surrel me disse: "Você foi um dos melhores locutores do Nordeste que já vi. Parabéns." E continua: "Apresentei vários programas. Mas o Vibra pop ficou na história. Dávamos cobertura a um conjunto, na área externa da Rádio Tapuyo e a audiência da juventude era certa. À época, o Vibra pop era o ponto de encontro dos estudantes. Mossoró teve até rádio-novela. Genildo Miranda, com O vesperal das moças! Tínhamos orquestras. Hoje, com a música nova, isso acabou. A tecnologia, de certa forma, limitou essas manifestações. Naquela época o noticiário era melhor. Tínhamos ótimos redatores. Hoje é gilete impressa. Antigamente escrevíamos mesmo! Hoje é leitura retirada. Em contrapartida, temos grandes jornalistas, como é o caso de Luís Juetê e Dorian Jorge, da GAZETA, e muitos outros. No rádio temos Jota Régis, Gilson Cardoso, Every e Emery Costa, que também é do jornal impresso, Ruy Maurício e muitos outros. Existem pessoas novas e boas nas empresas jornalísticas da cidade. Muitos jovens talentos", revela. Perguntado sobre o conselho que daria aos jovens jornalistas, responde: "Seja um jornalista autêntico. Sempre tive cuidado com a informação que repasso. Nunca se deve dizer "disseram, estavam dizendo". Não. Isso é mau jornalismo", orienta. Simples, de gestos lentos e precisos, Canindé Alves representa hoje a boa imprensa radiofônica do norte-rio-grandense, sincera e coerente, que subiste entre tecnologias e informação.