Cancelamento do Censo Demográfico gera “apagão” e pode ajudar a “passar boiada”, dizem jornalistas

Medida foi provocada pelo corte de verbas para pesquisa com o apoio do Congresso e pode também ter intenções eleitorais

Atualizado em 26/04/2021 às 11:04, por Deborah Freire.

Com o corte do orçamento previsto para o Censo Demográfico de R$ 2 bilhões para R$ 71 milhões no Congresso Nacional e, depois de sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, tendo caído para R$ 53 milhões, a pesquisa mais completa sobre a população brasileira não será feita em 2021.

Crédito:Agência IBGE

O cancelamento do Censo, realizado a cada dez anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi oficialmente anunciado pelo governo federal no dia 23. Com isso, já é o segundo ano sem o levantamento dos dados – em 2020, o adiamento foi causado pela pandemia de coronavírus - e não há certeza de que irá ocorrer no ano que vem.


Para jornalistas, cientistas políticos, ONGs e políticos que se posicionaram sobre o assunto, o cancelamento do Censo Demográfico gera um apagão de dados no Brasil que vão prejudicar a elaboração de políticas públicas e permitir cortes de investimentos em setores já fragilizados.


Meio ambiente, saúde, direitos humanos, políticas voltadas para indígenas entre outras áreas podem ser severamente afetadas, e muitos acreditam que se trata de estratégia para “passar a boiada” de medidas antidemocráticas e antiprogressistas do governo.


Para o colunista do UOL, Kennedy Alencar, as informações coletadas pelo Censo são essenciais para a construção de políticas para a melhoria do país e a falta de recursos para tal tem, na visão dele, a conivência do Congresso.


“Há uma responsabilidade do Congresso em geral e dos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, em particular. Além de cúmplices do genocida na pandemia, fazem política miúda”, critica.


O Censo do IBGE é ferramenta básica para a formulação de políticas públicas da União, Estados e municípios. É fundamental para pesquisas e propostas das universidades, de empresas privadas, da imprensa, da sociedade civil como um todo. É vital para o presente e o futuro do país.

— Kennedy Alencar (@KennedyAlencar)

A jornalista e integrante da Rede Internacional de Checagem de Fatos Cristina Tardáguila afirmou que os dados servem também para medir a eficácia das políticas públicas implementadas em anos passados. Portanto, ela afirma, “estamos há uma década na escuridão”.


Cantei essa bola em 2018, na ? ?, com ? ? na direção. LAMENTÁVEL cancelar o . ??

— Cristina Tardáguila (@ctardaguila)

ONGS, políticos e pesquisadores também demonstraram preocupação com o cancelamento da pesquisa que, se realizada este ano, seria divulgada ano que vem. Alguns acreditam que a medida é estratégica para que não haja divulgação de dados negativos em ano de eleições. Confira a repercussão no Twitter: