Canal de TV veicula informação falsa sobre invasão de tropas russas na Geórgia

Canal de TV veicula informação falsa sobre invasão de tropas russas na Geórgia

Atualizado em 15/03/2010 às 10:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Canal de TV veicula informação falsa sobre invasão de tropas russas na Geórgia

Divulgação
Mikhail Saakashvilli

A emissora de TV pró-governo da Geórgia, Imedi, causou polêmica na noite do último sábado (13), após veicular uma notícia falsa de que tanques da Rússia haviam invadido o país. Na informação, a TV chegou a noticiar que o presidente georgiano, Mikhail Saakashvilli, havia sido assassinado e que o político opositor, Nino Burdzhanadze, tinha assumido o poder.

Meia hora depois da notícia, o país - uma ex-república soviético do Cáucaso - entrou em colapso. Pessoas saíram em pânico às ruas, os centros comerciais da capital, Tbilisi, ficaram vazios e pessoas perambulavam à procura de informações sobre familiares.

Logo em seguida, confirmou-se que a informação era falsa e que o atual presidente não havia sido assassinado pelas tropas russas. Após a repercussão do caso, políticos da oposição condenaram a iniciativa da emissora, classificando-a como irresponsável e perigosa.

Moradores da capital se reuniram e fizeram um protesto em frente à sede da emissora. O presidente da empresa dona do canal afirmou que a informação falsa foi veiculada para mostrar o risco em que vivem os habitantes da Geórgia. Em 2008, tanques da Rússia invadiram o país, em um breve conflito pela posse das regiões separatistas da Abkhásia e Ossétia do Sul.

A direção da Imedi, porém, informou que o alerta não passava de um cenário possível na realidade da Geórgia. A informação falsa, além de causar pânico e revolta entre os moradores, também provocou mortes.

"Uma mulher cujo filho está no exercito teve um ataque cardíaco e morreu. Outra, grávida, perdeu o bebê. Muitas crianças foram levadas ao hospital com estresse. Foi horrível o que aconteceu. Foi um ato criminoso que precisa ser punido", disse Zaza Gachechiladze, editor-chefe do jornal em inglês The Georgian Messenger .

Especula-se que a notícia falsa esteja relacionada a uma tentativa do governo de desestabilizar a oposição, às vésperas das eleições para prefeito de Tbilisi. O líder da oposição, citado pela TV como o novo presidente do país, defendeu recentemente a retomada das relações com a Rússia, o que é rejeitado pelo governo.

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