Campos Mello processa Bolsonaro por ofensas machistas e "assédio sem precedentes"

A jornalista Patrícia Campos Mello ajuizou ação com pedido de indenização por danos morais contra o presidente Jair Bolsonaro.  O moti

Atualizado em 09/03/2020 às 13:03, por Redação Portal IMPRENSA.

A jornalista Patrícia Campos Mello ajuizou ação com pedido de indenização por danos morais contra o presidente Jair Bolsonaro.
O motivo foi a ofensa de cunho sexual que Bolsonaro fez contra Patrícia, uma semana após o depoimento suspeito de Hans River do Nascimento, ex-funcionário da agência de marketing digital Yacows, à CPMI das Fake News.
"Ela queria um furo. Ela queria dar o furo", disse o presidente a um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada, em referência à jornalista da Folha de São Paulo.
Em dezembro de 2018, reportagem de Patrícia mostrou que uma rede de empresas, entre elas a Yacows, recorreu ao uso fraudulento de nomes e CPFs de idosos para registrar chips de celular e assim disparar lotes de mensagens favoráveis a políticos. Crédito:Reprodução Facebook Bolsonaro ofende Patrícia Campos Mello no Palácio do Alvorada baseado em mentiras de Hans River do Nascimento
Em seu depoimento no Congresso, Hans disse que Patrícia se insinuou sexualmente em troca de informações para sua reportagem.
A ação judicial contra o presidente lembra que as mentiras de Hans na CPMI foram imediatamente difundidas através das redes sociais e, dias depois, ganharam enormes proporções com a fala do presidente.
"Os danos sofridos por Patrícia são gravíssimos, podendo ser facilmente constatados diante do assédio sem precedentes sofrido por ela após a manifestação do presidente", diz um trecho da ação.
Os advogados de Patrícia também iniciaram processos cíveis contra o ex-funcionário da Yacows, e também contra Allan dos Santos, apresentador do canal Terça Livre.
No caso da ação contra Nascimento, o texto afirma que "o réu se valeu de evidente injúria sexual, de cunho machista" para desmerecer o trabalho da jornalista.
Por sua vez, a ação cível de reparação por danos morais contra Allan dos Santos foca na edição do Terça Livre veiculada em 12 de fevereiro, que teve como título "O Prostíbulo em Desespero.
Embora Patrícia tenha apresentado as mensagens trocadas com Hans, autenticadas por meio de ata notarial, Allan dos Santos disse no programa que elas foram 'forjadas' e passou a incentivar seus seguidores a publicarem montagens e imagens sobre o tema.
Os processos contam com o suporte da Folha. Nas causas cíveis contra Bolsonaro e Hans, o valor pedido de indenização é de R$ 50 mil. Na demanda relativa a Allan o ressarcimento requerido é de R$ 100 mil. Os processos estão tramitando na Justiça estadual de São Paulo.