Campanha de Sarkozy em 2007 pode ter sido financiada por Kadafi, diz "Libération"
A campanha presidencial da França em 2007, que legeu Nicolas Sarkozy para o cargo, pode ter sido financiada por um contrato firmado entre a
Líbia e o governo francês. De acordo com documentos publicados pelo jornal Libération nesta terça-feira (13/03), através do contrato a França teria vendido ao regime de Muammar Kadafi um sistema de espionagem pela internet, que rendeu uma comissão de aproximadamente 50 milhões de euros que foram empregados na campanha de Sarkozy.
Leia também
-
-
-
Alguns dos documentos publicados pelo Libération tinham sido antecipados pelo site Médiapart na última segunda-feira (12/03). Na ocasião o presidente francês caracterizou a tese como "grotesca". Sarkozy negou que comissões do contrato firmado entre a companhia francesa Amesys e a Líbia acabaram nas contas de sua campanha há cinco anos.
Com a publicação do jornal as suspeitas aumentaram, principalmente sobre o ex-ministro francês, Brice Hortefeux, um dos parlamentares mais próximos a Sarkozy. Nas notas incriminatórias ele aparece como participante da suposta montagem financeira. Hortefeux criticou as afirmações e se negando a comentar a publicação em detalhes.
Segundo o Terra, as denúncias feitas pelos veículos de comunicação foram baseadas em notas, agora em poder da justiça, de Jean-Charles Brisard, responsável por empresa de espionagem e amigo do médico Didier Grosskopf, que tratou membros da família Kadafi.
Nas notas estão discriminadas anotações de Brisard que resumem conversas com Grosskopf no qual o médico lhe contava sobre as operações que testemunhou na Líbia e, em particular, a participação da negociação com o intermediário, o franco-libanês Ziad Takieddine.
Mesmo publicando o material o Libération reconhece que há muitas dúvidas sobre o valor e o sentido dessas notas, já que as supostas comissões poderiam ser a remuneração de Takieddine. Para o veículo tudo poderia ser uma montagem de Brisard contra o intermediário.
Takieddine desmentiu as alusões sobre um suposto financiamento político e, além de desqualificar a veracidade de possíveis declarações de Brisard e Grosskopf, admitiu que as relações entre Líbia e França passavam por suas mãos naquele momento.






