Campanha contra a exploração sexual infanto-juvenil no Amazonas existe?-Amaro Junior/UniNiltonLins

Campanha contra a exploração sexual infanto-juvenil no Amazonas existe?-Amaro Junior/UniNiltonLins

Atualizado em 01/12/2004 às 18:12, por Amaro Junior - Centro Universitário Nilton Lins - Manaus.

Por Nova pagina 1

Quando? Onde? Quem participa?

Com uma agenda de festas considerada em nossa capital e outra nos 61 municípios, teria o Estado do Amazonas através de seus órgãos competentes, ou entidades sociais, alguma preocupação com a violência sexual contra crianças e adolescentes? Só para citar algumas dessas festas relacionarei as que reúnem presumivelmente o maior número de turistas nacionais, estrangeiros e do próprio estado.

Presidente Figueiredo com a sua festa da laranja, Parintins com a conhecida e internacional festa dos bois bumbás, Coari com a festa da banana, Codajás tem em seu calendário a festa que homenageia o açaí, Maués realiza uma homenagem ao fruto energético, o guaraná e para não me estender muito terminarei com a festa das cirandas de Manacapuru. E em Manaus? Em nossa capital festa é o que não falta. Temos o boi Manaus, o carnaval, a feira agropecuária que é realizada todos os anos, os diversos clubes de forró - em breve nos tornaremos a capital deste rítmo, sem contar com os finais de semana que são realizados diversos shows para todos os grupos e gostos.

Mas este artigo não tem a intenção de servir como uma agenda de eventos e sim de chamar a atenção das autoridades, dos responsáveis ou sei lá de quem, para um problema que todo mundo vê mais não enxerga. A violência sexual contra crianças e adolescentes.

Para prevenir e enfrentar a exploração sexual da população infanto-juvenil durante os dias de carnaval em Salvador, entidades sociais e governamentais estão unindo esforços. Realizado pelo sétimo ano, a Campanha Contra o Abuso e a Exploração Sexual Infanto-juvenil iniciada em 1995, com a participação de Renato Aragão e Daniela Mercury, embaixadores do UNICEF no Brasil, tem como objetivo alertar turistas e baianos sobre o caráter criminoso da prática de sexo com crianças e adolescentes.

Coordenada pelo CEDECA/BA, a ação é resultado da parceria entre cerca de 70 entidades. A mobilização inclui uma ação educativa com a distribuição de 120 mil folhetos, em seis idiomas, com a mensagem da campanha e números para denúncias. O material é entregue nos circuitos do carnaval, aeroportos, estações marítimas, hotéis e estradas estaduais.

Em apenas um ano de campanha, foram recebidas 3,4 mil ligações pelo disque-denúncia e 300 inquéritos foram abertos na Bahia. O assunto tornou-se pauta freqüente nos veículos de comunicação, o que tem provocado a discussão do tema em âmbito nacional.

Rede contra a exploração

Precursora no país, a campanha tem reunido parceiros de diversos setores sociais. Ao todo, são 70 entidades, entre sociedade civil organizada e entidades públicas, formando uma grande rede contra a exploração. A população também tem participado, denunciando e cobrando a punição dos criminosos.

Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil

Criado em 2000, por meio de uma parceria entre governo e sociedade civil organizada, o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes é um instrumento de defesa e garantia dos direitos infanto-juvenis, que pretende criar, fortalecer e implementar um conjunto articulado de ações e metas fundamentais para assegurar a proteção integral à criança e ao adolescente em situação de risco.

Quantos escândalos sexuais ainda acontecerão envolvendo crianças e adolescentes pobres que moram na periferia e vivem em total miséria e que na maioria das vezes são colocadas no mundo da prostituição pelos próprios pais? Chega Manaus, basta Amazonas vamos seguir o exemplo que a Bahia nos dá, vamos nos unir, governo, sociedade, imprensa, artistas e quem mais tiver afim de dar um basta nessa pouca vergonha que já está quase se tornando oficial - turismo sexual realizado pelos nossos rios.