Campanha canadense transforma sangue virtual dos videogames em doações reais
Gerar engajamento para campanhas beneficentes pode ser mais difícil do que o Super Mario encontrar o castelo certo onde se esconde a Princesa Peach.
Atualizado em 20/01/2015 às 08:01, por
Lucas Carvalho.
Dois publicitários canadenses, porém, encontraram a chave para desatar esse nó e conscientizar as novas gerações.
O segredo está nos chamados “jogos de tiro”. Os videogames mais modernos fazem o controle vibrar toda vez que o jogador é atingido por um disparo. Dessa forma, seu personagem perde “sangue”, levando-o, em último caso, à “morte” digital. A ideia de Taran Chadha e Jamie Umpherson é desviar o sinal elétrico que faz o controle vibrar direto para a veia do jogador, transformando esse sangue perdido em uma transfusão real.
Crédito:Divulgação Projeto foi anunciado em novembro de 2014 em uma plataforma de financiamento coletivo A campanha denominada “Blood Sport” foi apresentada em novembro no Kickstarter – um site norte-americano de financiamento coletivo – pedindo 250 mil dólares para transformar o projeto em realidade. A ideia é conseguir levar todo o equipamento necessário para a realização das transfusões para o maior número possível de cidades canadenses, e, quem sabe, até os Estados Unidos.
"Tudo começou como uma piada entre nós, muito tempo atrás. Quando ouvimos que os bancos de sangue estão esvaziando no Canadá, decidimos que talvez fosse esse o momento de trazer isso à tona", revela Taran. A dupla ainda não conta com apoio de organizações ou instituições médicas ligadas à doação de sangue, mas diz que esse é o próximo passo.
O objetivo, segundo o publicitário, é desenvolver uma nova experiência em jogos eletrônicos, ao mesmo tempo em que alerta os jovens sobre a importância da doação de sangue. “Não somos caridade e nem uma fabricante de jogos. Estamos simplesmente criando um sistema que vai permitir aos gamers pensar sobre assuntos mais importantes enquanto ainda fazem o que mais amam.”
A máquina criada pelos publicitários coleta o sangue da mesma maneira que uma transfusão normal, sem o risco de “secar” as veias do doador. Mas desconstruir o hardware de um videogame e conectá-lo através de cabos aos braços de uma pessoa pode parecer um pouco imprudente. Os realizadores, porém, garantem que o procedimento é seguro.
“Se for usado em um hemocentro, é tão seguro quanto doar sangue normalmente, desde que uma equipe médica esteja de prontidão durante todo o tempo. Definitivamente não é seguro utilizar o sistema em casa, sem supervisão, e somos fortemente contra isso”, explica Taran.
Polêmica O projeto rendeu críticas e elogios de diversas partes. Segundo os idealizadores, nenhuma clínica profissional teve interesse em participar da iniciativa – muitas veem apenas como uma maneira de chamar atenção de forma sensacionalista. Já os apaixonados por jogos eletrônicos parecem divididos – “alguns amam, outros odeiam, o que foi uma surpresa para nós”, diz Taran.
A Cruz Vermelha Australiana chegou a compartilhar a ideia no Twitter, o que empolgou os realizadores. Mas em 24 de novembro, a equipe sofreu um duro golpe. A administração do Kickstarter desativou a campanha apenas cinco dias depois de seu início, quando já tinha arrecadado três mil dólares (cerca de 40 apoiadores), sem explicar o motivo da decisão e se recusando a comentar o assunto publicamente.
Taran tem suas próprias conclusões. “A gente suspeita que tenha a ver com a proveniência de nosso equipamento médico, ou a aparente ligação com caridade [o que é contra as regras do Kickstarter]. Talvez haja preocupação com segurança, já que não somos parceiros oficiais de nenhum hemocentro. Mas estamos trabalhando nisso”, revela o publicitário, que garante que o projeto continua de pé.
Histórico Tanto Taran Chadha quanto Jamie Umpherson já trabalharam com campanhas de solidariedade antes. Umpherson é o principal criativo por trás da premiada campanha viral “Surrogaid”, da ONG internacional War Child. O objetivo era oferecer a pessoas de todo o mundo a oportunidade controlar uma “mãe-robô” que cuidaria de crianças em zonas de guerra. Ao tentar se conectar, o internauta descobre que se trata de uma campanha para arrecadar fundos. “Você não pode doar maternidade, mas pode doar dinheiro”, dizia a página.
Taran, por sua vez, criou a campanha independente “Lifeline to Haiti”, para reunir doações às vítimas do terremoto de 2010 no país. Ele também é responsável pelo jogo virtual “Shoot the Banker” (“Atire no Banqueiro”, em português) que dava a chance ao internauta se vingar dos supostos responsáveis pela crise econômica de 2009. O projeto foi um sucesso na internet e chegou a atingir 46 mil jogadores por dia, além de chamar a atenção da mídia local e organizações financeiras.
O publicitário diz que a dupla não merece crédito pelas campanhas, e que os verdadeiros responsáveis são os membros das equipes que trabalham em cada um dos projetos - de médicos a engenheiros. “Nós amamos criatividade e trabalhar com tensões culturais. Então, se existir um meio de unir essas coisas para ajudar o próximo – ou, ao menos, dar início a um debate – ficamos muito felizes.”

O segredo está nos chamados “jogos de tiro”. Os videogames mais modernos fazem o controle vibrar toda vez que o jogador é atingido por um disparo. Dessa forma, seu personagem perde “sangue”, levando-o, em último caso, à “morte” digital. A ideia de Taran Chadha e Jamie Umpherson é desviar o sinal elétrico que faz o controle vibrar direto para a veia do jogador, transformando esse sangue perdido em uma transfusão real.
Crédito:Divulgação Projeto foi anunciado em novembro de 2014 em uma plataforma de financiamento coletivo A campanha denominada “Blood Sport” foi apresentada em novembro no Kickstarter – um site norte-americano de financiamento coletivo – pedindo 250 mil dólares para transformar o projeto em realidade. A ideia é conseguir levar todo o equipamento necessário para a realização das transfusões para o maior número possível de cidades canadenses, e, quem sabe, até os Estados Unidos.
"Tudo começou como uma piada entre nós, muito tempo atrás. Quando ouvimos que os bancos de sangue estão esvaziando no Canadá, decidimos que talvez fosse esse o momento de trazer isso à tona", revela Taran. A dupla ainda não conta com apoio de organizações ou instituições médicas ligadas à doação de sangue, mas diz que esse é o próximo passo.
O objetivo, segundo o publicitário, é desenvolver uma nova experiência em jogos eletrônicos, ao mesmo tempo em que alerta os jovens sobre a importância da doação de sangue. “Não somos caridade e nem uma fabricante de jogos. Estamos simplesmente criando um sistema que vai permitir aos gamers pensar sobre assuntos mais importantes enquanto ainda fazem o que mais amam.”
A máquina criada pelos publicitários coleta o sangue da mesma maneira que uma transfusão normal, sem o risco de “secar” as veias do doador. Mas desconstruir o hardware de um videogame e conectá-lo através de cabos aos braços de uma pessoa pode parecer um pouco imprudente. Os realizadores, porém, garantem que o procedimento é seguro.
“Se for usado em um hemocentro, é tão seguro quanto doar sangue normalmente, desde que uma equipe médica esteja de prontidão durante todo o tempo. Definitivamente não é seguro utilizar o sistema em casa, sem supervisão, e somos fortemente contra isso”, explica Taran.
Polêmica O projeto rendeu críticas e elogios de diversas partes. Segundo os idealizadores, nenhuma clínica profissional teve interesse em participar da iniciativa – muitas veem apenas como uma maneira de chamar atenção de forma sensacionalista. Já os apaixonados por jogos eletrônicos parecem divididos – “alguns amam, outros odeiam, o que foi uma surpresa para nós”, diz Taran.
A Cruz Vermelha Australiana chegou a compartilhar a ideia no Twitter, o que empolgou os realizadores. Mas em 24 de novembro, a equipe sofreu um duro golpe. A administração do Kickstarter desativou a campanha apenas cinco dias depois de seu início, quando já tinha arrecadado três mil dólares (cerca de 40 apoiadores), sem explicar o motivo da decisão e se recusando a comentar o assunto publicamente.
Taran tem suas próprias conclusões. “A gente suspeita que tenha a ver com a proveniência de nosso equipamento médico, ou a aparente ligação com caridade [o que é contra as regras do Kickstarter]. Talvez haja preocupação com segurança, já que não somos parceiros oficiais de nenhum hemocentro. Mas estamos trabalhando nisso”, revela o publicitário, que garante que o projeto continua de pé.
Histórico Tanto Taran Chadha quanto Jamie Umpherson já trabalharam com campanhas de solidariedade antes. Umpherson é o principal criativo por trás da premiada campanha viral “Surrogaid”, da ONG internacional War Child. O objetivo era oferecer a pessoas de todo o mundo a oportunidade controlar uma “mãe-robô” que cuidaria de crianças em zonas de guerra. Ao tentar se conectar, o internauta descobre que se trata de uma campanha para arrecadar fundos. “Você não pode doar maternidade, mas pode doar dinheiro”, dizia a página.
Taran, por sua vez, criou a campanha independente “Lifeline to Haiti”, para reunir doações às vítimas do terremoto de 2010 no país. Ele também é responsável pelo jogo virtual “Shoot the Banker” (“Atire no Banqueiro”, em português) que dava a chance ao internauta se vingar dos supostos responsáveis pela crise econômica de 2009. O projeto foi um sucesso na internet e chegou a atingir 46 mil jogadores por dia, além de chamar a atenção da mídia local e organizações financeiras.
O publicitário diz que a dupla não merece crédito pelas campanhas, e que os verdadeiros responsáveis são os membros das equipes que trabalham em cada um dos projetos - de médicos a engenheiros. “Nós amamos criatividade e trabalhar com tensões culturais. Então, se existir um meio de unir essas coisas para ajudar o próximo – ou, ao menos, dar início a um debate – ficamos muito felizes.”






