Camelôs continuam pelas ruas / Por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)
Camelôs continuam pelas ruas / Por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)
Atualizado em 28/07/2005 às 15:07, por
Yara Verônica Ferreira e estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (SP).
Por Os camelôs vendem seus produtos sem nenhuma intervenção, enquanto policiais circulam pelas ruas do centro, mas há dias que é um corre-corre de camelôs e policiais. A administração municipal, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy, foi pressionada pelas esferas Estadual e Federal para atuar contra o comércio ilegal. A fim de combater e fiscalizar as atividades do comércio ambulante, na cidade de São Paulo, em maio de 2002, foi criada a Força Tarefa Permanente e Integrada, com a participação dos fiscais contratados pela Prefeitura, da Guarda Civil Metropolitana e de Policiais Civis e Militares.
Os administradores do atual prefeito José Serra mantém as atividades de inibição do comércio ambulante ilegal, sob os cuidados da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que conta com o apoio de agentes da sub-prefeitura da Sé.
O Sindicato dos Trabalhadores Ambulantes do Estado de São Paulo, com o apoio da Prefeitura, já inaugurou dois shoppings populares, batizados de "Pop´s Centro", nas Avenidas Senador Queiroz e Ipiranga. Na Ladeira Porto Geral, os ambulantes licenciados misturam-se com os ilegais. Alguns camelôs ainda relutam em se instalar nos Pop´s Centros, porque acreditam que não obterão o mesmo lucro e justificam que o movimento de transeuntes não será intenso como das ruas.
O presidente da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, acredita que a criação de espaços adequados ao comércio informal é um dispositivo legal que permite disciplinar o uso do espaço público no Centro, coibindo seu uso irregular. "Uma vez criados os centros populares de compra para abrigar os camelôs, a Prefeitura terá de ser rigorosa, do contrário perderá completamente o respeito da população."
Na gestão municipal anterior havia 1.244 vendedores ambulantes regularizados, mas o Assessor de Imprensa da Sub-prefeitura da Sé, Dirceu Marques da Cruz, informou que fizeram chamada para recadastramento e somente 1.150 camelôs apresentaram documentos, que comprovam residência na cidade, para obter licença. Todos eles só podem atuar no Centro de São Paulo, em local demarcado. "A estimativa é que há entre três a quatro mil ambulantes em situação irregular. Um levantamento exato é complicado, porque há as datas de pico, quando aumenta o número de camelôs, como Natal e Dia das Mães", revela Cruz.
Caso os policiais não estejam cumprindo com a tarefa de fiscalizar e fazer cumprir a lei, ou se algum cidadão perceber que a mercadoria à venda é ilegal, deve denunciar pelos telefones 156 ou 3228-7647 e não precisa se identificar, basta dar detalhes sobre a localização do vendedor ambulante.
O especialista em Direito Tributário, Arcênio Rodrigues da Silva, afirma que o poder público quer coibir a formação de quadrilha e explica: "atividades ilegais, de qualquer ordem, são desastrosas para a economia da cidade, porque geram desemprego, corrupção e sonegação de recursos, os quais seriam utilizados para execução de melhorias nos serviços públicos como saúde e outros, mas que dependem de verba pública para viabilizá-las".
A população da cidade de São Paulo tem crescido de forma desmedida, principalmente por receber migrantes de cidades nas quais não lhes foram apresentadas alternativas para sua subsistência, tornam-se vendedores ambulantes e ganham seu sustento vendendo materiais diversos. Para muitos não só o regime de trabalho é ilícito, mas o material também. É o caso de J.D., que vive em São Paulo há 10 anos e nunca conseguiu trabalhar com salário fixo e benefícios, logo teve que optar por ser mais um nas calçadas do centro. Ele iniciou no comércio vendendo brinquedos, mas a mercadoria era cara, as vendas baixas e quando a fiscalização pegava, o prejuízo era grande. "Sabe, moça? A gente perde a noção do tempo! Mas já deve fazer cinco ou seis anos que vendo passes de metrô e de ônibus", conta ele.
M. S. chegou em São Paulo há quatro anos. Trabalhou com carteira assinada e passou a vender frutas na região do centro, porque o que ganhava mal dava para se sustentar. "Sou solteiro, mas tenho três filhos que ficaram em Alagoas, e, todo mês envio o que posso para ajudar a mãe a criá-los", diz ele. Depois de ter sofrido várias apreensões das suas frutas, ele passou a dividir a tarefa de mascate com um amigo, que todos os dias lhe dá cobertura para que possa vender com um pouco mais de tranqüilidade. Mas, com receio da fiscalização, vai embora para casa antes das oito da manhã, porque prefere diminuir seu lucro diário, sujos clientes são aqueles que chegam ao centro cedo para o começar a jornada de trabalho, à arriscar perder tudo novamente. "Nome inteiro, moça, não escreve não, podem querer me levar tudo de novo", pede ele.
Suas frutas, de um colorido que dá água na boca, são frescas, compradas no Mercado Municipal. Enquanto a alguns metros dali, uma banca de venda de CDs, continua em franca atividade. Nenhum fiscal interpela o camelô para solicitar que apresente sua licença ou para vistoriar a mercadoria e conferir se esses CDs são originais ou falsificados. Mas, as frutas frescas de M.S. correm o risco de ir parar na mesa de seus desafetos.
A análise da situação dos camelôs é complexa e envolve várias camadas da administração pública e na opinião de alguns munícipes, seria viável promover o diálogo entre os líderes políticos de outros estados, já que muitos vendedores ambulantes não são filhos naturais da cidade.
Os administradores do atual prefeito José Serra mantém as atividades de inibição do comércio ambulante ilegal, sob os cuidados da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que conta com o apoio de agentes da sub-prefeitura da Sé.
O Sindicato dos Trabalhadores Ambulantes do Estado de São Paulo, com o apoio da Prefeitura, já inaugurou dois shoppings populares, batizados de "Pop´s Centro", nas Avenidas Senador Queiroz e Ipiranga. Na Ladeira Porto Geral, os ambulantes licenciados misturam-se com os ilegais. Alguns camelôs ainda relutam em se instalar nos Pop´s Centros, porque acreditam que não obterão o mesmo lucro e justificam que o movimento de transeuntes não será intenso como das ruas.
O presidente da Associação Viva o Centro, Marco Antonio Ramos de Almeida, acredita que a criação de espaços adequados ao comércio informal é um dispositivo legal que permite disciplinar o uso do espaço público no Centro, coibindo seu uso irregular. "Uma vez criados os centros populares de compra para abrigar os camelôs, a Prefeitura terá de ser rigorosa, do contrário perderá completamente o respeito da população."
Na gestão municipal anterior havia 1.244 vendedores ambulantes regularizados, mas o Assessor de Imprensa da Sub-prefeitura da Sé, Dirceu Marques da Cruz, informou que fizeram chamada para recadastramento e somente 1.150 camelôs apresentaram documentos, que comprovam residência na cidade, para obter licença. Todos eles só podem atuar no Centro de São Paulo, em local demarcado. "A estimativa é que há entre três a quatro mil ambulantes em situação irregular. Um levantamento exato é complicado, porque há as datas de pico, quando aumenta o número de camelôs, como Natal e Dia das Mães", revela Cruz.
Caso os policiais não estejam cumprindo com a tarefa de fiscalizar e fazer cumprir a lei, ou se algum cidadão perceber que a mercadoria à venda é ilegal, deve denunciar pelos telefones 156 ou 3228-7647 e não precisa se identificar, basta dar detalhes sobre a localização do vendedor ambulante.
O especialista em Direito Tributário, Arcênio Rodrigues da Silva, afirma que o poder público quer coibir a formação de quadrilha e explica: "atividades ilegais, de qualquer ordem, são desastrosas para a economia da cidade, porque geram desemprego, corrupção e sonegação de recursos, os quais seriam utilizados para execução de melhorias nos serviços públicos como saúde e outros, mas que dependem de verba pública para viabilizá-las".
A população da cidade de São Paulo tem crescido de forma desmedida, principalmente por receber migrantes de cidades nas quais não lhes foram apresentadas alternativas para sua subsistência, tornam-se vendedores ambulantes e ganham seu sustento vendendo materiais diversos. Para muitos não só o regime de trabalho é ilícito, mas o material também. É o caso de J.D., que vive em São Paulo há 10 anos e nunca conseguiu trabalhar com salário fixo e benefícios, logo teve que optar por ser mais um nas calçadas do centro. Ele iniciou no comércio vendendo brinquedos, mas a mercadoria era cara, as vendas baixas e quando a fiscalização pegava, o prejuízo era grande. "Sabe, moça? A gente perde a noção do tempo! Mas já deve fazer cinco ou seis anos que vendo passes de metrô e de ônibus", conta ele.
M. S. chegou em São Paulo há quatro anos. Trabalhou com carteira assinada e passou a vender frutas na região do centro, porque o que ganhava mal dava para se sustentar. "Sou solteiro, mas tenho três filhos que ficaram em Alagoas, e, todo mês envio o que posso para ajudar a mãe a criá-los", diz ele. Depois de ter sofrido várias apreensões das suas frutas, ele passou a dividir a tarefa de mascate com um amigo, que todos os dias lhe dá cobertura para que possa vender com um pouco mais de tranqüilidade. Mas, com receio da fiscalização, vai embora para casa antes das oito da manhã, porque prefere diminuir seu lucro diário, sujos clientes são aqueles que chegam ao centro cedo para o começar a jornada de trabalho, à arriscar perder tudo novamente. "Nome inteiro, moça, não escreve não, podem querer me levar tudo de novo", pede ele.
Suas frutas, de um colorido que dá água na boca, são frescas, compradas no Mercado Municipal. Enquanto a alguns metros dali, uma banca de venda de CDs, continua em franca atividade. Nenhum fiscal interpela o camelô para solicitar que apresente sua licença ou para vistoriar a mercadoria e conferir se esses CDs são originais ou falsificados. Mas, as frutas frescas de M.S. correm o risco de ir parar na mesa de seus desafetos.
A análise da situação dos camelôs é complexa e envolve várias camadas da administração pública e na opinião de alguns munícipes, seria viável promover o diálogo entre os líderes políticos de outros estados, já que muitos vendedores ambulantes não são filhos naturais da cidade.






