Câmara dos Deputados vai pedir ao TSE a revogação das normas de propaganda na internet
Câmara dos Deputados vai pedir ao TSE a revogação das normas de propaganda na internet
A Câmara dos Deputados, através dos integrantes da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática pedirá ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, a anulação da Resolução 22.718, que restringe a propaganda eleitoral na internet. Segundo a resolução, esse tipo de propaganda só será permitida em página do candidato destinada exclusivamente à campanha.
Durante audiência pública, na última terça-feira (01), que discutiu o uso da internet nas eleições municipais deste ano, o deputado do PSDB-SP, Julio Semegini, anunciou que os deputados solicitarão uma audiência com o ministro para discutir o assunto. "Já não podemos mais fazer um projeto de lei que vá regulamentar o período [atual] das eleições. Temos de fazer com que, realmente, o tribunal eleitoral entre em sintonia com o Congresso", afirmou.
De acordo com Semeghini, a medida causa insegurança, principalmente, aos provedores de internet e às comunidades virtuais, que se preparam para debater a eleição do próximo dia 5 de outubro. De acordo com o parlamentar, a regulamentação da propaganda eleitoral na internet é desnecessária.
"Mordaça", foi assim que o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) classificou a resolução do TSE além de destacar que, pela internet, o eleitor tem condições de interagir com o candidato, o que não ocorre no rádio e na televisão.
As doações pela internet também foram defendidas por Bittar, a exemplo da campanha do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama. "Pequenas doações de campanha, de R$ 50, R$ 100 ou R$ 200, seriam democráticas e permitiriam que candidatos que não são abastados, que não são amigos de ricos, pudessem também competir no processo eleitoral. Considero que o TSE está absolutamente equivocado em sua resolução", afirmou.
Francisco Brandão, pesquisador do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília afirmou que as restrições à propaganda eleitoral na internet vão prejudicar o desenvolvimento de novas ferramentas de campanha. Ele observou que o uso da tecnologia ainda está em fase inicial, embora cresça em ritmo acelerado. Em 2006, apenas 14,5% dos candidatos tinham sites eleitorais, já em 2002, eram 3,2%.
Para Brandão, as restrições também podem desestimular os eleitores ligados à rede, que na maioria têm menos de 35 anos. O pesquisador lembrou que a participação de jovens na política tem diminuído nos últimos anos. "O TSE está abortando uma nova geração que poderia voltar a se interessar por política", afirmou. Ele lembrou que a Justiça Eleitoral fez uma campanha no ano passado justamente para estimular jovens de 16 e 17 anos a registrar o título eleitoral.
Com informações da Agência Câmara
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