Câmara debate sensacionalismo da notícia no caso Eloá

Câmara debate sensacionalismo da notícia no caso Eloá

Atualizado em 12/11/2008 às 17:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última terça-feira (11), durante uma audiência, as comissões de Defesa do Consumidor e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados debateram a "Espetacularização da Notícia" - como está sendo chamado o excesso de participação da mídia em casos policiais - tendo como base o caso Eloá.

Na ocasião, foram apresentados vários vídeos sobre a tragédia que envolveu a adolescente de 15 anos que foi seqüestrada e morta, em setembro deste ano, em Santo André (SP), pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, 22. De acordo com o deputado Ivan Valente (P-SOL), as imagens ratificaram que a mídia interferiu nas negociações, atrapalhando a ação da polícia.

"Nós chamamos as emissoras porque tiveram claramente participação no desfecho trágico do caso; quebrou-se o código de ética e se extrapolou os limites em busca de audiência. A informação virou uma grande mercadoria que visa ao lucro. A espetacularização da notícia não contribui com o interesse público e com os direitos da cidadania", disse Valente.

O deputado afirmou, ainda, que as emissoras deveriam reconhecer que existia uma psicopatologia grave e que a transformação do rapaz com transtornos mentais em celebridade, ao vivo, para milhões de pessoas, certamente inflamou a sua personalidade, dilatou o tempo de seqüestro e contribuiu para o fim trágico.

O promotor de Justiça Augusto Rossini, que acompanhou de perto as negociações, confirmou que a influência da mídia ficou clara neste episódio. "Fui chamado lá por exigência do próprio Lindemberg, que queria alguém ligado à justiça e aos direitos humanos para não sofrer retaliações, e ele só acreditou que eu era eu quando dei uma carteirada via TV", contou ele.

"A busca de audiência a qualquer custo não pode ser o único critério. Existe uma ambiência sócio-cultural da mídia de massa e o conteúdo da violência é cada vez maior pela ausência do controle do conteúdo da programação", argumentou o pesquisador sênior do núcleo de mídia da Universidade de Brasília (UNB) Venício Arthur de Lima.

O deputado Ivan Valente reclamou também da falta de divulgação do debate por parte das emissoras que estiveram na audiência. Segundo ele, "esse debate é uma crítica ao tipo de cobertura e de conteúdo que é vinculado na mídia. A idéia é que existe uma impunidade e minha proposta é que duas questões ganhem peso: controle social da mídia pelo Congresso Nacional e renovação das concessões a partir de um balanço de conteúdo", defendeu ele.

Foto: Divulgação

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