Calouros de jornalismo explicam a escolha do curso e objetivos na profissão

"Espero poder fazer a diferença frente às injustiças do nosso país, usar a minha profissão como uma arma para combater as desigualdadese para construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Atualizado em 04/02/2014 às 15:02, por Jéssica Oliveira e  Alana Rodrigues* e Lucas Carvalho*.

frente às injustiças do nosso país, usar a minha profissão como uma arma para combater as desigualdades e para construir uma sociedade mais justa e igualitária." A frase acima foi dita por João Inácio Vargas Pereira, 18 anos. "Bixo" de Jornalismo em Santa Maria (RS), ele está na contagem regressiva para o início das aulas.
Crédito:SXC Estudantes sonham com futuro promissor no jornalismo
Assim como o jovem, "ajudar a sociedade", "fazer a diferença" e "mudar o mundo" são sonhos comuns à maioria das pessoas que escolhem o jornalismo como profissão. Seja qual for o objetivo individual, oficialmente o diploma não é mais necessário para exercer a profissão. Então o que leva um aspirante a jornalista dedicar, em média, quatro anos dentro de uma universidade?
Para tentar responder a essa e outras questões, bem como mostrar um pouco do que é ser "bixo" de jornalismo, IMPRENSA ouviu calouros de diversas partes do Brasil e dois professores sobre a importância do primeiro ano e como aproveitá-lo. Na galeria, os estudantes contam detalhes da opção pelo jornalismo, suas expectativas, a visão do mercado e opiniões sobre a carreira escolhida.
Primeiro ano: consciência, curiosidade e treino Hebe Gonçalves, coordenadora de jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, (UEPG), no Paraná, conta que na recepção aos calouros a instituição apresenta o que é o jornalismo e levanta questões sobre o ensino e a profissão para despertar a curiosidade e a reflexão. "O esforço é todo em buscar o senso crítico do aluno, para ampliar sua visão sobre a realidade. Temos a preocupação de desmitificar a profissão e mostrar como o jornalismo é amplo e profundo", explica.
Em São Paulo, Celso Unzelte, da ESPN Brasil, leciona para calouros na Cásper Líbero há 9 anos. Na aulas de "Técnicas e Gêneros Jornalísticos I", ele aborda quatro grandes temas: pauta, apuração, texto e edição. Para ele, estudante de jornalismo tem que treinar. "O que damos em aula é a base para ser usada. Mais do que estudar a matéria em si, ele deve produzir bastante até para descobrir o que quer seguir. Pode escrever, fazer blog, produzir imagens, áudios... aproveitando o que o mundo acadêmico oferece. Ele tem que se expor, produzir, para aperfeiçoar", afirma.
Para além dos motivos da escolha pelo jornalismo, eles acreditam que o aluno deve aproveitar o tempo e os recursos da universidade, reconhecer as dificuldades e buscar ajuda para superá-las, conversando com professores, colegas de curso ou profissão e treinando sempre. Além disso, é fundamental ter interesse, curiosidade, paixão, força de vontade e dedicação.
Diferentes caminhos, o mesmo curso Natural de São Paulo, João Paulo Balbino da Silva, de 18 anos, mora em Minas Gerais e estuda na Universidade Federal de Ouro Preto. Ele nem pretendia cursar jornalismo, mas bastou pisar numa redação para esquecer o sonho de ser advogado. "Como cheguei uns meses antes do início das aulas, comecei a trabalhar em um jornal. Fiquei por seis meses e me apaixonei pela profissão", diz.
Lucas Arantes Zanetti, 18 anos, nasceu em Ribeirão Preto (SP), mas estuda na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP). "Sei que vou aprender muito com a faculdade de jornalismo. Tudo influencia: morar numa cidade diferente, amadurecer, conhecer pessoas que acabam se tornando sua família, discutir temas polêmicos...", diz.
Formada em Letras e professora há 12 anos, Priscila Buares, de 32, buscou o jornalismo pela experiência com seus alunos. Ela conta que sempre precisou da imprensa para buscar assuntos instigantes. "Discuto temais atuais, questiono, provoco, investigo... Quando tive a oportunidade de conhecer o ambiente jornalístico de perto, falei para mim mesma que ali é o meu lugar", conta a profissional, que estuda na Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro.
Jornalismo não dá futuro Todos os estudantes ouvidos pela reportagem já escutaram um "desiste do jornalismo", seja pelas longas jornadas, notícias de demissões ou baixa remuneração. E o "incentivo" veio de família, amigos, colegas de profissão, mestres e até de desconhecidos numa conversa casual. "Ouvi inúmeras vezes. Meus pais sempre apoiaram minhas escolhas, porém minha avó sempre me dizia: “minha filha, eu gosto tanto de você, só não gostei da escolha desse seu curso aí. Faça medicina”, diz Isabela Arrais Medeiros, 18 anos, caloura na Universidade Federal do Ceará.
Natural de Bagé (RS), Antonella Freitas Gomes, de 18 anos, também foi desencorajada, inclusive pelo pai, mas vai cursar jornalismo na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). "Espero ter aulas de interação, contatos com meios de comunicação e com a realidade baseados em experiências, que a faculdade seja receptiva e me faça acreditar que fiz a escolha certa. Que a profissão me traga felicidade no futuro, que eu possa trabalhar com o que gosto e ser bem remunerada por isso", conta sobre suas expectativas.
Pés na faculdade, olhos no mercado Aluna na Faculdade Anhanguera de Brasília, Lanna Tiany Silva Sant'Anna, de 18 anos, sempre acompanha o mercado de trabalho do jornalismo. "Um bom jornalista é aquele que compreende o está em volta. Tudo é oportunidade. Dependendo do momento, temos que ousar, arriscar, em cursos ou trabalhos", explica. Para ela, retorno financeiro é consequência de um árduo trabalho.
Isabela, de Fortaleza, vai na mesma linha e acredita que o importante é ser um profissional qualificado e que corre atrás dos objetivos. "Ganhar dinheiro não depende de escolha de profissão, depende da sua qualificação e perseverança", afirma.
Confira a galeria com outros trechos das entrevistas de cada calouro.

Sobre o especial
De segunda-feira (3/2) até sexta (7/2), IMPRENSA apresenta um especial para futuros estudantes de jornalismo, alunos e recém-formados. A série está dividida em cinco partes: , vida de calouro, importância de fazer estágio, o ano de TCC e o papel da pós-graduação na profissão. Ouvimos alunos, professores, recrutadores e profissionais de mercado do Brasil inteiro. A primeira pode ser lida .
*Com supervisão de Vanessa Gonçalves