Cada um no seu quadrado

Cada um no seu quadrado

Atualizado em 13/11/2009 às 16:11, por Thaís Naldoni.

Tenho certa fixação pelos exercícios de imaginação. Acredito que se colocar diante de situações irreais e pensar em qual seria sua atitude caso ela fosse verdade, ajuda a entender melhor procedimentos, decisões e a formar minha opinião sobre determinado assunto de forma menos equivocada.

Hoje, convido você, leitor, a analisar a seguinte situação: você é um repórter de TV. Seu produtor ou mesmo você marca uma entrada ao vivo, para um jornal que entra no ar num horário determinado, com alguma autoridade ou celebridade. Está tudo pronto. O caminhão de link a postos, seu entrevistado já com fones de ouvido para que possa interagir com o estúdio. Vocês estão aguardando a entrada quando chega uma repórter, de outra emissora, invade o espaço em que está montado seu link e insiste em falar com seu entrevistado antes, já ao vivo, num programa. Qual seria sua reação?

Foi o que aconteceu na última quarta-feira (11). O secretário-executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, se preparava para conceder uma entrevista à repórter Camila Bomfim, da Globo News, quando Venina Nunes, da Record, pediu que ele se pronunciasse ao vivo para o programa "Hoje em Dia". A situação - patética, diga-se - ficava ainda mais constrangedora com a insistência do apresentador do programa, o jornalista Celso Zucatelli, para que a repórter permanecesse na tentativa da entrevista, ainda que já estivesse avisada pela assessoria do secretário de que a entrada da Globo News aconteceria antes por estar agendada e que a dela aconteceria na sequência.

Duas coisas me espantaram muito: a postura da repórter da Record que, certamente estava sendo orientada a insistir daquela maneira (mais do que sem ética, sem educação) e a postura da emissora que insiste em se colocar na posição de injustiçada quando, na verdade, usa de seu crescimento e da briga pela audiência, para atitudes sem qualquer embasamento jornalístico ou ético. Sempre com o uso do argumento do "monopólio da informação" e do medo da concorrência de perder sua liderança.

Já ouvi muitas "análises" sobre o ocorrido. Houve quem dissesse que a repórter Camila Bomfim poderia ter cedido a vez a Venina Nunes. Pensem bem: é uma alternativa válida, minutos antes de se entrar no ar ao vivo num telejornal, você ser "bacaninha" e deixar a colega fazer a entrevista para outra emissora, sem qualquer garantia de que a intervenção seria rápida o bastante para você não perder seu link? Não é novidade para nós, jornalistas, que a entrevista, quando não é coletiva, deve mesmo ser agendada. E a prioridade, é claro, é de quem agendou

Não acho que as Organizações Globo (da qual faz parte a Globo News) seja como um "paladino" da moral e dos bons costumes sempre. Mas, naquela situação, afirmo sem pudor que senti vergonha do procedimento da TV Record. Vergonha pelo telespectador, que teve que assistir a um show de horrores, uma intervenção ridícula; vergonha pelas repórteres; vergonha pelo Jornalismo.

Pelo bem da informação, que cada emissora, cada jornal, cada revista, cada site faça seu trabalho com retidão, com ética. Cada um fazendo o seu, da melhor forma possível. Que o telespectador, leitor, internauta, ouvinte decida aonde quer ter acesso àquela informação... como diriam as crianças que vejo brincando por aí: "ado, ado, ado. ".

Para assistir, .