"Busca pela audiência não pode contrariar interesse público", diz Ivan Valente sobre caso Eloá

"Busca pela audiência não pode contrariar interesse público", diz Ivan Valente sobre caso Eloá

Atualizado em 31/10/2008 às 17:10, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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O deputado federal Ivan Valente (PSOL) entrou com um requerimento na Câmara dos Deputados para que a Comissão de Defesa do Consumidor da casa realize uma audiência pública para discutir a cobertura da mídia no seqüestro de Eloá Pimentel - assassinada por seu ex-namorado, Lindemberg Alves, em 19 de outubro. Durante os cinco dias de seqüestro, Globo, Record e RedeTV! exibiram entrevistas feitas por telefone com Lindemberg.

Aprovada por unanimidade, a audiência será no dia 11 de novembro, às 14h, na sala das comissões da Câmara dos Deputados, em São Paulo, e pretende reunir as emissoras que tiveram contato direto com o seqüestrador, o promotor que acompanhou o caso, o comandante da Polícia Militar responsável pela operação, um especialista em comunicação e alguém que analise os fatos do ponto de vista psicológico.

Agência Câmara
Ivan Valente
Para Valente, o seqüestrador foi transformado em celebridade pela mídia, em uma "busca insana" pela audiência. "Os setores da mídia perderam a noção do que é responsabilidade social e ética jornalística. A cobertura atrapalhou o trabalho da Polícia e prejudicou vidas", disse o deputado em entrevista ao Portal IMPRENSA.

A primeira questão a ser debatida, segundo o parlamentar, é o fato de "programas de entretenimento à tarde conversarem com o seqüestrador enquanto ele apontava uma arma para a cabeça da refém". A segunda questão é a própria cobertura, "pois as emissoras ficaram 24 horas em cima do fato, dando, inclusive, a localização precisa da Polícia ao seqüestrador. Elevar o cidadão à condição de celebridade contribuiu com o seqüestro e com o desenlace", afirmou.

Valente acredita que o debate é pertinente, pois é necessário "colocar em xeque as concessões das emissoras, que têm uma responsabilidade social e não podem, na busca incessante pela audiência, praticar um jornalismo contrário ao interesse público". De acordo com ele, "esse é um bom momento para discutir a renovação dos serviços públicos e fazer um balanço dos conteúdos e do papel da Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações) e do Ministério das Comunicações em relação a esses conteúdos".

Perguntado se a população espera uma atitude do poder público - já que nesta sexta-feira (31), foram enviadas à Procuradoria Federal do Direitos do Cidadão 132 denúncias de telespectadores a respeito da cobertura jornalística sobre o caso - o deputado é enfático: "A pressão sobre esse fato mostra que existem setores da sociedade que não aceitam a manipulação política dos meios de comunicação. Entendo que o poder público é conivente com determinado tipo de cobertura jornalística, que trabalha com a lógica de comoção social para atingir picos de audiência", concluiu.

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