Busca de imagem reversa ajuda na identificação de boato sobre a Bienal do Livro
Técnica indicada para verificação de conteúdo visual, a busca de imagem reversa foi usada pelo Estadão Verifica (braço de checagem de fatos e combate à desinformação do jornal O Estado de São Paulo) para conferir a veracidade de publicações difundidas nas redes sociais este fim de semana contendo imagens de páginas do livro “As Gémeas Marotas”.
Atualizado em 09/09/2019 às 12:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
Com cenas de personagens infantis em posições que simulariam atos sexuais, as publicações foram usadas para justificar a censura a obras de teor LGBT movida pelo prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Crédito:Reprodução Instagram Segundo os boatos, a obra "As Gémeas Marotas", que é satírica e voltada para o público adulto, estava à venda no evento literário do Rio. Na verdade as imagens foram retiradas de contexto. O livro não foi vendido na Bienal do Rio.
O Estadão Verifica detectou que as imagens já serviram a estratégias de desinformação em outras ocasiões. Recentemente um boato de que o livro estaria sendo vendido para crianças na Argentina levou o site peruano La Republica a uma investigação.
Escrito por “Brick Duna”, autor que parodia a obra do escritor holandês Dick Bruna (morto em 2017, e criador da coelhinha Miffy, personagem de histórias infantis), o livro foi publicado em 2012.
As imagens associando a obra à Bienal do Rio passaram a circular após o evento ter se tornado alvo de tentativa de censura pela gestão Marcelo Crivella, em virtude de um gibi em que dois personagens masculinos se beijam.
Alegando que a obra viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a prefeitura ordenou a apreensão de obras que não estivessem guardadas em embalagens que alertassem para conteúdo “impróprio ou inadequado”.
Neste domingo, 8, a disputa judicial sobre o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal. O presidente do STF, Dias Toffoli, derrubou a censura, sendo seguido pelo ministro Gilmar Mendes. Ao recorrer da decisão, advogados a serviço de Crivella teriam usado as imagens do livro "As Gémeas Marotas" fora de contexto.





