Burocracia dificulta junção da TVE à TV Brasil, explica Beth Carmona, presidente da Acerp

Burocracia dificulta junção da TVE à TV Brasil, explica Beth Carmona, presidente da Acerp

Atualizado em 03/12/2007 às 16:12, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

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Na última sexta-feira (30/11), a jornalista Beth Carmona, diretora-presidente da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), instituição que administra a TVE, anunciou a sua saída do cargo. O motivo seria a "dualidade de comando" gerada com a fusão entre TVE e Radiobrás para a criação da TV Pública, que entrou no ar no último final de semana.

De acordo ela, a idéia da fusão sempre foi vista com desconfiança. "Desde o início via muitos problemas na fusão. São duas empresas diferentes e com diferenças em suas características estruturais, jurídicas e empresariais", disse, em entrevista ao Portal IMPRENSA.

Carmona explicou que a Acerp estava preparada, em princípio, para "um salto". No entanto, a fusão criou situações desconfortáveis para ela, como a tomada de decisões sem consulta prévia da diretoria. "Saiu a Medida Provisória dizendo que aconteceria a fusão e, até aí, tudo bem, porque é uma lei e eu aceito. Mas não existia um manual de como ela iria acontecer e, de repente, tive a necessidade de assumir uma estréia que não estava de acordo com minhas decisões, tive que assinar documentos. Eu não podia ficar responsável por isso", explicou.

Segundo ela, ainda não é possível dizer se o temor dos funcionários da TVE é justificável, já que não foram confirmadas demissões. No entanto, Carmona admite que o processo de anexação é complicado. "Por a Radiobrás ser estatal, a absorção dos funcionários foi tranqüila. Agora, na TVE não houve incorporação porque a estrutura é diferente. Se for incorporar, terá que fazer a rescisão de todos os funcionários e recontratá-los e fazer isso com 1,2 mil funcionários é complicado".

Apesar das críticas feitas por muitos setores da sociedade quando ao uso da TV Pública para interesses particulares do governo, Carmona disse acreditar que ela não será "chapa-branca". "Espero que a EBC vingue e acredito que ela não será 'chapa-branca'. Acho que tem muita programação boa que ela pode veicular."

No momento, o processo de rescisão do contrato de Beth Carmona já está em andamento, mas ela disse não temer por seu futuro profissional. "Primeiro que eu estou exausta. Foram cinco anos de muito trabalho, porque, quando assumi [a presidência da Associação], a Acerp estava quase fechando e agora ela está pronta para dar o salto. Por enquanto estou tentando ler o que está acontecendo com a televisão, mas tenho um nome muito forte no mercado e tenho muitos caminhos possíveis a seguir. Talvez monte uma empresa própria", disse.

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